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  • Financiamentos para a Economia Azul em Angola

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    #CapitalAzul Ep.1

    A participação na Conferência Internacional sobre Pescas e Aquicultura Sustentável (CIPAS) 2025 trouxe-nos uma constatação clara: o debate sobre financiamento azul deixou de ser apenas técnico; tornou-se um imperativo estratégico para o futuro do País. A reflexão sobre “Soluções Financeiras e Investimento Sustentável” revelou que o desenvolvimento da Economia Azul exige uma visão mais profunda: uma visão que integre ciência, política, economia e responsabilidade geracional.

    É neste cruzamento de ideias e necessidades que surge esta breve reflexão sobre o papel dos financiamentos e investimentos dedicados ao avanço da Economia Azul em Angola.

    Lacunas, Potenciais e Oportunidades Financeiras

    Ao intervir na referida conferência, a Sra. Ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Prof. Dra. Carmen do Sacramento Neto, sublinhou que o encontro permitiu clarificar lacunas científicas e metodológicas que ainda limitam a gestão sustentável dos recursos marinhos (DEMBENE: Jornal Economia & Finanças, edição n.º 945). Esta constatação é reveladora: antes de falarmos em financiamento, precisamos de reconhecer que o conhecimento científico é o primeiro capital que sustenta qualquer estratégia de economia oceânica.

    Mas a realidade mostra que, para além das lacunas técnicas, persiste uma fraca mobilização de recursos para projectos concretos de Economia Azul: projectos capazes de regenerar ecossistemas, fortalecer comunidades costeiras e impulsionar a competitividade nacional.

    Reflectir sobre a Economia Azul é, portanto, compreender que ela não é apenas um sector económico. É uma oportunidade:

    –  de diversificar a economia;

    –  de criar empregos formais;

    –  de projectar Angola regionalmente;

    –  e, sobretudo, de melhorar a vida das populações que dependem do mar.

    Como reforçou o Sr. Secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Dr. Ottoniel dos Santos, trata-se de “uma grande oportunidade para o crescimento sustentável do país e para a melhoria da qualidade de vida das comunidades costeiras” (CIPAS 2025).

    Contudo, para que esta oportunidade se materialize, o País deve ultrapassar o desafio central: o acesso ao financiamento certo, na escala certa e com a visão certa.

    É neste ponto que a Blue Finance surge como instrumento transformador. Não se trata apenas de um novo produto financeiro, sobretudo na realidade angolana, mas de uma nova forma de pensar o desenvolvimento, que articula sustentabilidade, ciência, investimento e responsabilidade global. A Blue Finance, segundo o IFC (2025), ajuda a enfrentar urgências económicas e ecológicas, criando valor enquanto protege a base da vida: os oceanos.

    O Desafio Angolano: Transformar Potencial em Acção

    Angola possui uma das maiores extensões costeiras da região e, ainda assim, o número de projectos estruturantes no domínio da Economia Azul é reduzido. Isto revela uma questão essencial: o potencial existe, falta transformá-lo em oportunidade real.

    Os instrumentos de financiamento (nacionais ou internacionais) não substituem a necessidade de estratégia, liderança e visão. Por isso, a mobilização de fundos deve caminhar a par da mobilização do conhecimento, da inovação e das instituições.

    O sistema bancário e os organismos internacionais, especialmente aqueles orientados para critérios ESG, dispõem de capitais significativos. Mas só os canalizam para países que demonstram clareza estratégica, capacidade técnica e projectos credíveis. Angola tem aqui uma vantagem competitiva por explorar.

    O IFC recorda-nos que “a economia oceânica sustenta mais de 100 milhões de empregos” e poderá superar os 5 biliões de dólares até 2050 (IFC, 2025). O desafio é saber qual a fatia desta economia que Angola está realmente preparada para captar, e quanto está disposta a investir para o conseguir.

    O Papel Incontornável do Estado

    Em Angola, o Estado deve assumir um papel verdadeiramente estruturante no ecossistema de financiamento azul. Não basta criar incentivos fiscais ou apresentar garantias financeiras: é preciso liderar a visão, criar confiança, definir prioridades e assegurar que existe uma ponte sólida entre ciência, política e investimento.

    O futuro da Economia Azul depende de um Estado que:

    –  invista directamente em investigação aplicada;

    –  promova incubação de projectos inovadores;

    –  articule políticas de longo prazo;

    –  e mobilize parcerias internacionais de impacto.

    Quando a política pública dá o exemplo, o sector privado segue com confiança.

    IFC e a Nova Arquitectura da Blue Finance

    A aprovação de 232 mil milhões de kwanzas para projectos das pescas e recursos marinhos entre 2023 e 2025 no País, com mais de 85% já financiados, dados anunciados pelo Sr. Secretário de Estado para as Finanças e Tesouro de Angola durante a CIPAS,  demonstra que existe vontade política e capacidade para avançar. Porém, é apenas o início.

    Os Blue Bonds e Green Bonds emergem como instrumentos que podem transformar por completo o modo como Angola financia a sua transição azul.

    A publicação do Guideline for Blue Finance 2.0 pelo IFC, em Setembro de 2025, reforça aquilo que os especialistas há muito defendem: os países que compreenderem estas directrizes serão os que atrairão o maior volume de capitais internacionais na próxima década.

    As novas directrizes não são apenas técnicas; são estratégicas. Ajudam a definir indicadores, medir impacto, estruturar projectos e torná-los financiáveis a nível global. Representam, portanto, um caminho concreto para Angola se posicionar entre as nações africanas que lideram a agenda oceânica, pois ou transforma o seu património oceânico numa força motriz de desenvolvimento, ou continuará a assistir ao desperdício de um dos seus maiores activos naturais.

    Um Chamamento à Visão e à Acção

    Pensar o futuro da Economia Azul em Angola não é um exercício meramente técnico. É um chamamento à responsabilidade colectiva: de decisores políticos, académicos, empresários e jovens investigadores. Pois todos têm um papel decisivo.

    O momento exige coragem para ir além das soluções tradicionais. Exige:

    –  inovação,

    –  rigor científico,

    –  visão de longo prazo,

    –  e capacidade de atrair recursos diversificados.

    A Economia Azul pode tornar-se uma das mais extraordinárias plataformas de desenvolvimento sustentável do País. Mas isso só acontecerá se Angola ousar imaginar mais, planear melhor e agir com determinação.

    Os fluxos de investimento global deslocam-se rapidamente para sectores sustentáveis. As instituições financeiras internacionais procuram projectos sérios, tecnicamente robustos e alinhados com princípios ESG.

    Se assim for, o País não apenas ampliará oportunidades de atrair investimento: transformará a sua relação com o oceano num dos pilares mais sólidos do seu progresso económico, social e ambiental.

    Referências

    IFC. (2025). Guidelines for Blue Finance Version 2.0. Document publisher. https://www.ifc.org/en/insights-reports/2025/guidelines-for-blue-finance?cid=IFC_LI_IFC_EN_EXT

    DEMBENE, Nádia. Executivo angolano mobiliza financiamento para dinamizar actividade no sector das Pescas. Jornal Economia & Finanças, Luanda, 07 Nov. 2025. Edição n.º 945.

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    #CapitalAzul Ep.1

    📌 #CapitalAzul

    A #CapitalAzul é a série do Disruptive Ocean Hub Angola (DOHA) dedicada ao aspecto financeiro da Economia Azul. Um espaço de análise estruturada onde se discute e propõe como navegar recursos financeiros, públicos e privados, para projectos que posicionam o mar enquanto pilar económico de Angola.

    Os conteúdos aqui publicados são desenvolvidos com base em investigação interna e escritos com apoio de especialistas, integrando abordagens contemporâneas de financiamento sustentável, blue finance, instrumentos de crédito e investimento, capital humano, risco climático, impacto social e modelos de desenvolvimento ligados ao oceano — da pesca e aquicultura às infraestruturas costeiras, energia, turismo e investigação científica aplicada.

    Esta série é mais uma contribuição para aproximar visão estratégica, evidência científica e possíveis fontes de financiamento. Porque desbloquear financeiramente a Economia Azul em Angola exige mais do que vontade política — requer metodologias sólidas, avaliação de risco qualificada e capacidade de transformar recursos financeiros em valor duradouro para as comunidades costeiras e para o país.

    💸 O mar é um património comum. O desafio da #CapitalAzul é garantir que a temática do financiamento esteja à altura dessa responsabilidade, promovendo soluções que aliem sustentabilidade, regeneração de ecossistemas, robustez técnica, impacto real e visão de longo prazo.

    #CapitalAzul #DOHA #BlueFinance #FinanciamentoSustentável #EconomiaAzul #AngolaAzul #Oceano #Desenvolvimento #Impacto #EstratégiaAzul

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  • 💸🌊 Financiar o Mar: depois da CIPAS 2025, o que falta para a Economia Azul em Angola sair do papel?

    Na CIPAS 2025 – Conferência Internacional de Pescas e Aquicultura em Angola, falou-se de financiamento azul, de investimento sustentável e de novas oportunidades ligadas ao mar.

    Mas entre o discurso e a realidade existe um espaço que ainda precisamos de preencher:

    👉 como é que Angola pode transformar esta agenda em projectos concretos, financiáveis e bem estruturados?

    É a partir desta pergunta que nasce hoje a nossa nova série editorial:

    🔹 #CapitalAzul – Finanças e Investimento na Economia Azul

    No Ep. 1, o artigo “Financiamentos para a Economia Azul em Angola” olha para o papel do Estado, da banca e das instituições internacionais, para os instrumentos disponíveis (blue/green bonds, financiamento climático, blended finance) e para a importância de colocar o conhecimento científico e a boa governação no centro das decisões de investimento.

    Mais do que procurar “financiamento azul”, o texto defende que Angola precisa de visão, critérios e pipeline de projectos capazes de ligar o mar às prioridades de desenvolvimento do país.

    📄 Artigo completo aqui https://doha-ao.com/doha/financiamentos-para-a-economia-azul-em-angola/

    #CapitalAzul #EconomiaAzul #BlueFinance #Angola #FinanciamentoSustentável #Pescas #Aquicultura #DOHA

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  • #Bússola Ep.5 – A Corrida Pelos Dados do Atlântico Sul: Entre a Dependência Estrutural e a Soberania Digital Azul Pós-COP30

    A 30ª Conferência das Partes (COP30), realizada em Belém, consolidou o oceano não apenas como um pilar da política climática global, mas como uma infraestrutura política, digital e institucional por onde circulam poder, dados e capital (Parks & Starosielski, 2021). Este evento não só reforçou a arquitectura institucional, marcada por instrumentos como o Ocean Breakthroughs Dashboard e a iminente entrada em vigor do acordo BBNJ (Acordo sobre a Diversidade Biológica Marinha de Áreas Além da Jurisdição Nacional), mas também tornou inegável uma única matriz estratégica: a Governança Oceânica Integrada (GOI).

    Mas, o que significa esta transição para a dinâmica de poder no Atlântico Sul? Significa que a corrida pelo controlo dos recursos já não é apenas sobre petróleo ou peixes, mas sim sobre a infraestrutura invisível: cabos submarinos, sensores e plataformas digitais que definem, em silêncio, quem tem a capacidade de prever o clima, gerir recursos e assegurar a defesa.

    Os países costeiros do Sul Global estão perante uma encruzilhada estratégica: ser produtores soberanos de conhecimento marinho (convertendo dados em valor científico, económico e político) ou permanecer fornecedores de matéria-prima informacional para actores externos com maior capacidade tecnológica?

    A Infraestrutura Invisível Que Produz Poder: O Oceano Informacional

    A literatura contemporânea é clara: quem controla os sistemas de comunicação e os fluxos de dados detém o poder de moldar equilíbrios estratégicos (Starosielski, 2015; Deibert, 2013). No oceano, essa dinâmica é amplificada pela opacidade e concentração desta infraestrutura, criando assimetrias profundas, especialmente no Atlântico Sul.

    Cerca de 95% do tráfego global de dados circula por cabos submarinos, cuja gestão e propriedade estão cada vez mais concentradas em gigantes tecnológicos e consórcios privados (Parks & Starosielski, 2021). Esta privatização da espinha dorsal digital confere-lhes uma influência decisiva sobre as vulnerabilidades nacionais, uma forma de poder estrutural silencioso.

    As assimetrias críticas manifestam-se em três dimensões:

    1. Cabos Submarinos como Arquiteturas de Poder: A decisão de instalar ou não um cabo pode alterar latências digitais, afectar preços e condicionar a autonomia estratégica. Um tema técnico com impacto directo na economia e segurança.

    2. Redes de Observação Controladas pelo Norte Global: Bóias, satélites e gliders que recolhem dados oceanográficos pertencem, maioritariamente, a consórcios do Norte Global, que determinam as prioridades de observação e os modelos de partilha (Levin et al., 2019). Os países costeiros do Sul Global são, muitas vezes, apenas meros pontos de recolha.

    3. O Processamento e o Valor dos Dados: O verdadeiro valor científico e estratégico surge após o processamento (modelação, machine learning, previsão). Esta etapa ocorre quase sempre nos centros de dados e instituições do Norte Global (Taylor, 2017).

    Esta dinâmica é identificada pela literatura crítica como uma forma contemporânea de extracção, onde infraestruturas técnicas reproduzem padrões históricos de desigualdade sob novas roupagens (Couldry & Mejias, 2019). No oceano, isto significa que Estados costeiros fornecem a matéria-prima informacional, mas ficam excluídos da inovação e dos retornos científicos e económicos.

    A COP30, o BBNJ e a Urgência da Governança Oceânica Integrada (GOI)

    A COP30 politizou esta transição ao reconhecer que as políticas de conservação, clima, pesca, energia e segurança não podem actuar de forma fragmentada. Ao lançar o Ocean Breakthroughs Dashboard e reforçar a necessidade de métricas, criou o cenário ideal para que a GOI se torne o quadro operativo dominante.

    A GOI (Stephenson, R., 2021) é a metodologia que articula ciência, economia azul, tecnologia e diplomacia técnica numa só arquitectura coerente. No contexto do Atlântico Sul, esta abordagem é decisiva porque:

    · Evita a Captura de Valor Epistémico: Combate a migração do valor científico e comercial que ocorre quando dados gerados localmente são processados fora da região.

    · Aumenta a Resiliência: Proteger a infraestrutura crítica (cabos, sensores) exige GOI para criar quadros jurídicos e mecanismos de cooperação regional.

    · Qualifica a Participação: Os instrumentos da COP30 tendem a favorecer países com capacidade técnica para alimentar o Dashboard com métricas consistentes. A GOI é o caminho para transformar dependência em elegibilidade financeira.

    Questão Inadiável: Os avanços institucionais garantidos pela COP30 e pelo futuro BBNJ são inquestionáveis. No entanto, terão os países do Atlântico Sul a capacidade tecnológica, os recursos financeiros e o poder de agenda equitativo para colher os frutos destas plataformas?

    Angola e a Agenda da Soberania Digital Azul: Princípios para Protagonismo

    Para um país como Angola, a discussão sobre dados oceânicos e infraestruturas é intrinsecamente política e estratégica. O país encontra-se numa posição geográfica chave, sendo hospedeiro de corredores de cabos essenciais. A conversão desta posição em poder negocial e autonomia exige a adopção da GOI.

    Propõe-se que Angola transforme a sua dependência estrutural em soberania digital azul através de três princípios centrais, alinhados com uma visão moderna da GOI:

    1. A Soberania de Dados como Activo de Governação

    Dados não são apenas instrumentos científicos; são activos de governação, cruciais para negociações e elegibilidade financeira.

    Os dados oceânicos deixaram de ser meros outputs científicos e passaram a constituir activos de governação, determinantes para elegibilidade financeira, credibilidade regulatória e capacidade de intervenção em processos multilaterais. Preservar soberania de dados implica reconhecer o seu valor estratégico, definir responsabilidades institucionais claras e assegurar que os fluxos de informação marinha produzidos no país geram retorno científico, económico e diplomático para as instituições nacionais.

    2. Capacidade Científica: Da Representação Simbólica ao Poder Negocial

    No paradigma da GOI, a ciência é um instrumento diplomático. Cada bóia instalada, cada modelo produzido, amplia o poder negocial. Quem não gere e interpreta dados, não participa verdadeiramente na governação do oceano.

    Sem competência para produzir, interpretar e aplicar dados oceânicos, a presença angolana em fóruns como a COP, o BBNJ ou plataformas técnicas internacionais corre o risco de permanecer simbólica. A consolidação de massa crítica científica, o fortalecimento dos sistemas de observação e a valorização da interface entre ciência, tecnologia e política constituem, assim, fundamentos essenciais para que Angola alcance uma participação substantiva e não apenas representativa.

    3. Diplomacia Técnica Integrada com Financiamento Azul

    A GOI exige que se supere a fragmentação institucional interna (entre Pescas, Ambiente, Energia, Defesa) e se construam posições comuns ancoradas em evidência científica. Quem domina métricas e padrões define a agenda e influencia o financiamento.

    A diplomacia técnica surge, portanto, como eixo de projecção internacional, exigindo alinhamento institucional e coerência de posições entre sectores nacionais relevantes, desde o ambiente e pescas até à energia e ciência. No espaço regional, uma postura activa reforça a capacidade de influência sobre temas como segurança marítima, interoperabilidade de dados e protecção de infraestruturas submarinas. A consolidação de uma visão estratégica de financiamento azul, coerente com métricas globais emergentes, permite transformar compromissos em iniciativas estruturadas e credíveis no mercado internacional de financiamento climático e oceânico.

    Num oceano cada vez mais definido por quem vê, mede e interpreta, permanecer invisível já não é neutral: é uma escolha que custa soberania.

    O Dilema da Autonomia e o Fim da Fragmentação

    O caminho da GOI e da soberania digital azul implica custos reais e a gestão de tensões: como equilibrar a autonomia estratégica com a necessidade de financiamento externo e a cooperação internacional?

    A alternativa (permanência na fragmentação institucional, dependência tecnológica crónica e irrelevância normativa) é substancialmente mais onerosa a médio prazo.

    A COP30 não inaugurou um novo paradigma; acelerou um processo inexorável. O poder marítimo e digital é hoje exercido através da gestão e interpretação de dados de alta resolução.

    Os oceanos são agora arenas digitais, políticas e climáticas. Para o Atlântico Sul, a questão é menos técnica do que política: Como transformar a posição geográfica em capital epistémico e autonomia digital?

    O momento é decisivo. As ferramentas para a soberania digital azul já existem: os regimes BBNJ, o Dashboard, os programas nacionais replicáveis. A eficácia destas ferramentas dependerá unicamente da capacidade de cada Estado para converter promessas em instituições resilientes, infraestruturas tecnológicas e ciência aplicada.

    O Atlântico Sul tem a oportunidade de deixar de ser objecto de agendas externas e de se afirmar como sujeito com autonomia epistémica, política e económica.

    A COP30 acelerou a digitalização da política oceânica. O Atlântico Sul precisa de protagonistas, não espectadores.

    Angola encontra-se perante uma oportunidade única para transformar posição geográfica em poder epistémico, autonomia digital e influência diplomática.

    A questão não é se o futuro oceânico será digital.

    É quem o irá governar.

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    Margarida Coelho

    Referências Bibliográficas

    ·         Couldry, N., & Mejias, U. A. (2019). The Costs of Connection: How Data Is Colonizing Human Life and Appropriating It for Capitalism. Stanford University Press.

    ·         Deibert, R. J. (2013). Black Code: Inside the Battle for Cyberspace. Signal.

    ·         Levin, L. A., et al. (2019). The Role of Scientific Research in Governance of the Deep Sea. Annual Review of Marine Science.

    ·         Parks, L., & Starosielski, N. (Eds.). (2021). Signal Traffic: Critical Studies of Media Infrastructures. University of Illinois Press.

    ·         Starosielski, N. (2015). The Undersea Network. Duke University Press.

    ·         Stephenson, R. (2021). The Quilt of Sustainable Ocean Governance: Patterns for Practitioners. Frontiers in Marine Science.

    ·         Taylor, P. J. (2017). The Data-Centric Ocean: Geopolitical and Infrastructural Implications of Ocean Observation. Routledge.

    ·         UNEP. (2024). Blue Economy: Opportunities and Challenges for Developing Countries. United Nations Environment Programme. (Referência ilustrativa para publicações recentes em GOI).

    Documentos e fontes institucionais e notícias (2023–2025):

    ·         Ocean Breakthroughs. (n.d.). Ocean Breakthroughs — Dashboard & methodology. (https://ocean-breakthroughs.org/dashboard/)

    · COP30 — Belém Package / COP30 outcomes. (https://cop30.br/en/news-about-cop30/cop30-approves-belem-package1).

    ·         IOC/UNESCO — Global Ocean Observing System (GOOS). (2024). State of the Ocean / GOOS resources. (https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000390054.locale=en)

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    #Bússola Ep.5

    📌 Sobre a “Bússola”

    Esta é a secção oficial de produção de pensamento estratégico do Disruptive Ocean Hub Angola (DOHA). Um espaço de escrita estruturada, reflexiva e especializada, onde as ideias do DOHA ganham forma pública — sempre ancoradas em análise rigorosa e enquadramento político-científico.

    Os conteúdos aqui publicados são desenvolvidos internamente, com base na investigação em curso no DOHA, especialmente nas áreas de Ciência Política, Relações Internacionais, Políticas Públicas para o Mar e Ambiente, Governança Oceânica e Desenvolvimento Sustentável.

    Esta é mais uma contribuição. Porque desbloquear a Economia Azul exige mais do que boas intenções — exige método, continuidade e coragem intelectual.

    🌊 O mar é de todos. A estratégia tem de ser de alguém.

    #DOHA #PensarOMar #EconomiaAzul #AngolaAzul #ArtigosDOHA #PolíticasPúblicas #Sustentabilidade #Oceano #Inovação #EstratégiaAzul #Futuro

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  • 🌊 Economia Azul e Agro-Negócio: pontes que começam a ganhar forma em Angola

    Obrigado à AAPA.ao pela publicação do artigo:
    “Maricultura – A Onda Azul que pode transformar o Agro-Negócio em Angola ”, na vossa newsletter.

    O texto, escrito por um dos nossos co-fundadores João Pedro Rodrigues (ainda antes de o DOHA nascer), defende algo simples: o futuro do agro-negócio angolano também passa pelo mar.

    Agradecemos à AAPA.ao e em particular ao Dilson Major, por trazer este tema para o debate do sector e por ajudar a aproximar dois mundos que, têm tudo a ganhar em trabalhar juntos: A Economia Azul, e o Agro-Negócio.

    Solo fértil + costa extensa = mais valor, mais resiliência, mais regeneração, mais futuro.

    O artigo pode ser lido nas páginas 25–28 da newsletter #4 de 2025 da AAPA.
    #DOHA #EconomiaAzul #Maricultura #AgroNegócio #Angola


    🔗 Acesse aqui a Newsletter: https://lnkd.in/dF46EyK4

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  • Cipas 2025 – Já decorre a Plenária sobre a “Governança para a Economia do Mar”.

    O DOHA – Disruptive Ocean Hub Angola 🇦🇴 está presente.

    Foco na Economia Azul como motor de desenvolvimento económico sustentável do País.

    Teremos ainda o Painel sobre “Género e Sustentabilidade”, e os tão aguardados Paineís sobre “Ciência, Dados e Monitorização Marinha” e “Soluções Financeiras e Investimento Sustentável para a Economia Azul”.

    Em representação do Doha, Margarida Coelho e João Pedro Rodrigues.

    Se o futuro da Economia azul em Angola, também passa por ti, não hesites em entrar em contacto!

    Para que não percas pitada da conferência, faremos um acompanhamento de todos os painéis após a conferência, durante as próximas semanas.



    hashtag#Minpermar hashtag#Economiaazul hashtag#Doha hashtag#Angola hashtag#Cipas2025

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  • CIPAS 2025 – Conferência Internacional sobre Pesca e Aquicultura Sustentável4 e 5 de Novembro de 2025 • CCTA – Luanda, Angola

    “A Conferência Internacional sobre Pesca e Aquicultura Sustentável (CIPAS 2025), a realizar-se em Angola nos dias 4 e 5 de Novembro de 2025, integra as comemorações dos 50 anos da independência nacional e constitui uma plataforma global de destaque que aborda a necessidade de um crescimento sustentável e equitativo nos sectores de pesca e aquicultura.

    O evento reafirma o compromisso do país com a conservação marinha, o desenvolvimento da economia azul e a segurança alimentar das suas populações costeiras.”

    Organizado pelo Ministério das Pescas e Recursos Marinhos

    O DOHA – Disruptive Ocean Hub Angola 🇦🇴 vai estar presente, para com muito interesse, assistir aos painéis temáticos, recheados de peritos nacionais e internacionais.

    Estaremos representados por João Pedro Rodrigues e Margarida Coelho.

    Se o Futuro da Economia Azul em Angola também passa por ti e vais estar na CIPAS2025, entra em contacto. Haverá sempre espaço para o Networking Azul!

    É já na próxima 3af e 4af no CCTA em Luanda.

    Verifica o programa em anexo.

    https://lnkd.in/d5-M2kTu

    Ler mais: CIPAS 2025 – Conferência Internacional sobre Pesca e Aquicultura Sustentável4 e 5 de Novembro de 2025 • CCTA – Luanda, Angola
  • 📘 #PontoAzul – Ep.8 | Malacocultura🐚 Ostras, Mexilhões e Amêijoas: filtrar o mar, criar valor local

    Com o oceano sob pressão e a necessidade de desenvolvimento económico costeiro sustentável, a malacocultura oferece uma via estratégica: melhora a qualidade da água, gera rendimento, não necessita de ração e, com a gestão correcta, é regenerativa.
    Trazemos exemplos inspiradores e caminhos práticos para Angola.

    🧠 Exemplos produtos-âncora na Malacocultura – Bivalves
    🔹 Ostra do Pacífico (Magallana gigas) – crescimento rápido, base da oferta global.
    🔹 Ostra europeia (Ostrea edulis) – premium; nichos.
    🔹 Mexilhão (Mytilus spp./M. galloprovincialis) – forte conversão ecológica, grande aceitação.
    🔹 Amêijoa (Ruditapes decussatus/philippinarum) – valor gastronómico e cadeia consolidada.

    🌍 Exemplos inspiradores

    🇵🇹 Oceano Fresco Cultivo sustentável de bivalves em mar aberto;

    🇵🇹 Aquanostra® referência em produção de bivalves, com excelência e tradição.

    🇿🇦 Blue Ocean Mussels A principal operação de criação de mexilhões da África do Sul, conhecida por muitos simplesmente como “BOM”.

    🇿🇦 Saldanha Bay Oyster Co.  Coletivo de empresas/quintas marítimas de ostras e mexilhões localizadas na Saldanha Bay, na África do Sul.

    🇬🇧 Offshore Shellfish Ltd Primeira maricultura de mexilhão offshore em larga escala no Reino Unido (Lyme Bay, Devon).

    🇦🇪 Dibba Bay Oysters É a primeira e única maricultura gourmet de ostras no Oriente Médio.

    🇰🇪 Swahili Coast Farms Pioneira do cultivo comercial de ostras de qualidade, e na defesa do papel das mulheres na aquicultura sustentável, promovendo a independência económica e a resiliência.

    🇬🇲 West Africa Shellfish Hub Centro de conhecimento e divulgação sobre bivalves na África Ocidental; Lançou um manual prático para implementar co-gestão em pescarias de bivalves — onde Angola se pode inspirar para adaptar em estuários e mangais.

    📌 E em Angola?
    – 2–3 zonas-piloto com comités de co-gestão e monitorização ambiental e com foco na segurança alimentar.
    – Long-lines de mexilhão + mesas de ostra, começando pequeno e com semente de qualidade (parcerias com berçários).
    – Infraestruturas partilhadas: depuração, laboratório, cadeia de frio e rastreabilidade.
    – Marca de origem com narrativa Feito em Angola para comercialização; derivados (conservas, patês).
    – Ligação com o agronegócio: subprodutos → bioinsumos com provas de campo.



    🧭 “Knowledge precedes transformation.”

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  • 📚 #MitosDoMar – Ep. 8🐚 Malacocultura: Ostras, Mexilhões e Amêijoas — filtradores que regeneram o mar.

    A malacocultura é o cultivo de moluscos bivalves (ostras, mexilhões, amêijoas).
    São verdadeiros “engenheiros ambientais”: filtram a água, capturam nutrientes e podem ajudar a regenerar zonas costeiras.

    🧠 Literacia Oceânica – Como se faz?
    • Sistemas suspensos (cordas/long-lines) para mexilhão
    • Mesas/estacas e sacos para ostra
    • Viveiros/berçários para “semente” (larvas/juvenis)
    • Controlo sanitário rigoroso antes do consumo

    ✅ Porque interessa a Angola?
    • Regeneração ecológica costeira (filtradores melhoram a qualidade da água)
    • Valor local (emprego e cadeias curtas)
    • Não necessita de ração externa (ao contrário do peixe)
    • Alavanca para educação ambiental e ordenamento costeiro

    ⚠️ Desafios actuais em Angola
    – Regras e fiscalização: licenças, zonas de cultivo e responsabilidades ainda pouco claras; fiscalização limitada.
    – Infra-estrutura e Capacidade técnica: consistência na cadeia de frio, know-how em monitorização (pH, salinidade, OD), biossegurança e higiene, laboratórios e extensão técnica.
    – Conflitos de uso: pressão sobre manguezais/estuários e competição com pesca artesanal se não houver co-gestão.
    – Qualidade de água e blooms de algas: poluição urbana/industrial e florações podem tornar a colheita imprópria para consumo.
    – Mercado e financiamento: investimento inicial, crédito/seguros escassos e procura interna irregular.
    – Rastreabilidade: sem HACCP/ISO e controlo sanitário não há acesso a mercados de maior valor.

    ❌ Mitos a desmontar
    “Se é filtrador, é sempre seguro comer.” → Falso. Filtram tudo — inclusive toxinas. Sem água limpa e análise, não há consumo.
    “Vai competir com a pesca artesanal.” → Pode competir se for mal planeado; com co-gestão e benefício local, vira aliado.
    “É só meter cordas no mar.” → Precisa de berçários, monitorização e certificação. Método, não improviso.

    📘 Em breve no #PontoAzul Ep.8: exemplos internacionais, modelos de co-gestão e sugestões para um roteiro prático para Angola.


    📚 “Knowledge precedes transformation.”

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    Ler mais: 📚 #MitosDoMar – Ep. 8🐚 Malacocultura: Ostras, Mexilhões e Amêijoas — filtradores que regeneram o mar.
  • #Bússola Ep.4 – Diplomacia Azul: Angola e o BBNJ, Plateia ou Palco?

    O Tratado do Alto Mar (BBNJ), previsto para entrar em vigor em 2026, após alcançar a 60.ª ratificação em Setembro de 2025, inaugura uma nova etapa na governança global dos oceanos. Mais do que um pacto ambiental, o BBNJ constitui um campo de disputa política e económica em torno da biodiversidade marinha e dos recursos genéticos oceânicos. Para Angola, este regime internacional representa tanto um risco de marginalização como uma oportunidade de liderança. Este artigo argumenta que Angola só poderá reposicionar-se no sistema internacional se articular uma diplomacia azul assente em smart power e em inteligência emocional diplomática. Numa conjuntura em que África oscila entre fragmentação e protagonismo, o Atlântico Sul pode ser a plataforma estratégica para transformar Angola de observador em protagonista.

    O Atlântico Sul num novo ciclo de poder

    A entrada em vigor do Tratado do Alto Mar (BBNJ), não é apenas uma conquista ecológica. É uma mudança de tabuleiro: a construção de um regime jurídico com implicações políticas, económicas e estratégicas profundas. Como sublinha Nye (2009), as transformações na ordem internacional não se medem apenas em termos normativos, mas também na forma como reconfiguram a distribuição de poder entre Estados.

    A questão central é simples e incontornável: quem vai ganhar com isto? A governança dos recursos genéticos marinhos, avaliados em milhares de milhões de dólares, coloca em confronto o Norte Global (detentor da tecnologia e da capacidade científica) e o Sul Global (detentor da legitimidade moral e do capital político da equidade). A história dos regimes internacionais mostra que a promessa de justiça distributiva frequentemente colide com a assimetria estrutural de poder (Keohane, 2005; Biermann & Kim, 2020).

    Para Angola, este tratado representa uma oportunidade histórica de se reposicionar no sistema internacional. Um país historicamente visto como periférico no sistema internacional pode usar a sua posição atlântica para se posicionar como actor relevante na diplomacia azul. Contudo, como adverte Acharya (2014), os regimes internacionais tendem a marginalizar os países em desenvolvimento que não investem em capacidades institucionais próprias.

    A diplomacia azul pode abrir o caminho: transformar os recursos marítimos e a posição atlântica em instrumentos de poder e legitimidade global. A mera posse de uma vasta Zona Económica Exclusiva (ZEE) e de uma costa estratégica não basta. O jogo global exige mais do que recursos: exige visão, estratégia e, sobretudo, a capacidade de jogar em múltiplas frentes.

    Em termos de teoria de poder, Angola precisa de articular hard power (recursos energéticos, posição geoestratégica, capacidade marítima), soft power (legitimidade diplomática, discurso de equidade, redes multilaterais) e smart power (a capacidade de integrar coerentemente ambas as dimensões) (Nye, 2004).

    O dilema está lançado: Angola vai assistir da plateia ou assumir o palco da política oceânica?

    O BBNJ: entre pacto ecológico e disputa geopolítica

    Dois terços dos oceanos estão fora da jurisdição nacional. Durante décadas, estas águas foram exploradas por poucos (grandes potências navais, tecnológicas e corporativas). O BBNJ cria, pela primeira vez, um regime internacional vinculativo, com regras para áreas marinhas protegidas, avaliações de impacto ambiental e potenciais mecanismos de partilha equitativa dos benefícios da biodiversidade marinha (Tladi, 2023).

    Mas, como lembram Mearsheimer (2001) e os realistas clássicos, as normas internacionais raramente são neutras: reflectem relações de poder. O BBNJ coloca sobre a mesa temas que ultrapassam a retórica da conservação ambiental. O debate central do BBNJ não é ambiental, é distributivo. A exploração dos recursos genéticos marinhos levanta questões de governança global: quem controla, quem explora, quem beneficia?

    A proposta de partilha equitativa inscrita no tratado parece justa, mas o risco é claro: na prática, tende a reproduzir a velha lógica centro-periferia, onde o Norte dita as regras e o Sul permanece dependente (Anghie, 2005). Angola, portanto, não pode posicionar-se como simples destinatária das normas, mas como coautora das regras do jogo. A teoria da justiça global aplicada à governação dos comuns (Held, 2004) reforça que sem participação activa dos países em desenvolvimento, a promessa de equidade converte-se em retórica vazia.

    África na encruzilhada: unidade ou irrelevância

    O continente africano encontra-se num dilema estrutural. Perde anualmente cerca de 10 mil milhões de dólares devido à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (IUU fishing) (African Union, 2019), e mantém uma dependência estrutural em ciência e tecnologia do Norte Global.

    A Estratégia Africana da Economia Azul, aprovada em 2019, define objectivos ambiciosos, mas carece de músculo político, recursos financeiros e mecanismos de implementação (Voyer et al., 2018).

    Sem uma posição africana coesa, cada país negoceia isoladamente, e perde. É o dilema clássico de fragmentação interna versus poder externo: enquanto o Norte opera em blocos institucionais e tecnológicos, África responde de forma dispersa e frágil.

    A crítica de Acharya (2014) ao “Sul fragmentado” encaixa-se perfeitamente neste contexto: quando cada Estado africano actua sozinho, todos perdem. O BBNJ é apenas o exemplo mais recente dessa encruzilhada: ou África afirma-se como coautora das regras, ou continuará a ser mera receptora das normas definidas por outros.

    Angola: potência costeira ou espectadora?

    Angola dispõe de três vantagens estratégicas singulares:

    1. Uma Zona Económica Exclusiva vasta e rica, com recursos energéticos, pesqueiros e potencial para exploração de biotecnologia marinha.

    2. Posição geopolítica privilegiada no Atlântico Sul, corredor entre África, América do Sul e rotas energéticas globais.

    3. Inserção em redes multilaterais (SADC, CPLP, UA, ONU) que oferecem plataformas de amplificação diplomática.

    Contudo, o potencial por si só não garante liderança. Se Angola permanecer excessivamente dependente do petróleo, terá pouca legitimidade para se afirmar como defensora da sustentabilidade marítima (Ferreira, 2021). Mas se assumir uma agenda robusta de combate à pesca ilegal, liderar a posição africana no BBNJ e utilizar a CPLP como plataforma de soft power, poderá transformar-se num hub diplomático atlântico, articulando-se como ponte entre o Sul Global e os fóruns multilaterais.

    O país precisa de inverter a lógica extractivista e assumir a diplomacia azul como vector central da sua política externa. Isso implica:

    · No plano regional: liderar mecanismos de combate à pesca ilegal no Golfo da Guiné.

    · No plano africano: construir consensos e propor mecanismos de transferência tecnológica no âmbito do BBNJ.

    · No plano global: usar a CPLP e a ONU como palcos de soft power atlântico, defendendo a equidade na partilha de benefícios.

    Se Angola não assumir este papel, ficará condenada a mais um ciclo de dependência e invisibilidade.

    Smart Power e Inteligência Emocional Diplomática

    Joseph Nye (2004) introduziu o conceito de smart power como a combinação estratégica de força material (hard power) e influência cultural e diplomática (soft power). No caso angolano, isso traduz-se na utilização coordenada da sua geografia, dos seus recursos e da sua narrativa política.

    Mas há um elemento adicional: a inteligência emocional diplomática. Tal como sugere Nussbaum (2013), a política não é feita apenas de interesses racionais, mas também de emoções e percepções. Angola precisará de projectar firmeza e empatia em simultâneo, equilibrando discursos de justiça distributiva com pragmatismo negocial.

    Na lógica habermasiana do agir comunicativo (Habermas, 1981), Angola pode assumir o papel de mediadora, construindo pontes entre o Norte e o Sul. Mas para isso é necessário adoptar uma diplomacia proactiva, capaz de propor, liderar e negociar com credibilidade.

    O futuro da diplomacia azul não será decidido apenas com navios ou tratados. Será decidido na forma como Angola gerir o equilíbrio entre firmeza e empatia, pragmatismo e narrativa. Aqui entra a dimensão da inteligência emocional diplomática, conceito inspirado em Goleman (1995) e aplicado à política internacional por Hall e Ross (2015).

    Num contexto de assimetrias de poder, Angola precisará de demonstrar firmeza na defesa dos seus interesses, mas também empatia e capacidade de construir consensos. O exercício de liderança no Sul Global exige simultaneamente resistência à imposição externa e habilidade para formular propostas construtivas. Esta é a essência da inteligência emocional diplomática: projectar confiança sem ingenuidade, negociar sem ceder ao paternalismo e construir alianças com base na credibilidade.

    Conclusão: plateia ou palco?

    O BBNJ é mais do que um pacto ecológico: é um teste geopolítico. Para Angola, a escolha é clara. Pode limitar-se a ser espectadora de um processo liderado pelo Norte Global, ou pode subir ao palco e escrever parte das regras.

    Assinar não basta. Sem ratificação, Angola arrisca-se a perder legitimidade, voz e influência. Ratificar é o primeiro passo para transformar o Atlântico Sul de periferia em centro de poder. É também o gesto político que dá credibilidade a qualquer discurso sobre sustentabilidade, justiça distributiva ou liderança regional.

    A combinação de smart power com inteligência emocional diplomática pode transformar Angola em protagonista no Atlântico Sul, projectando-se como país capaz de articular justiça distributiva, sustentabilidade ambiental e liderança política. Como argumenta Held (2004), a justiça global depende da capacidade de actores periféricos transformarem normas em práticas e discursos em poder.

    O futuro da diplomacia azul não será definido apenas por quem domina tecnologia, mas por quem tiver coragem de agir com visão. Angola pode ser essa ponte entre Norte e Sul. Mas para isso tem de ratificar, assumir o palco e recusar o conforto ilusório da plateia.

    Diplomacia azul exige acção: assinar é símbolo, ratificar é poder.

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    Margarida Coelho

    Referências

    ·         Acharya, A. (2014). The End of American World Order. Polity Press.

    ·         African Union. (2019). Africa Blue Economy Strategy. Nairobi: African Union Commission.

    ·         Anghie, A. (2005). Imperialism, sovereignty and the making of international law. Cambridge University Press.

    ·         Biermann, F., & Kim, R. E. (2020). Architectures of earth system governance: Institutional complexity and structural transformation. Cambridge University Press.

    ·         Ferreira, A. (2021). A economia azul em Angola: oportunidades e desafios. Revista Angolana de Ciências Sociais

    ·         Goleman, D. (1995). Emotional intelligence. Bantam Books.

    ·         Habermas, J. (1981). Theorie des kommunikativen Handelns. Suhrkamp.

    ·         Hall, T., & Ross, A. (2015). Affective politics after 9/11. International Organization

    ·         Held, D. (2004). Global covenant: The social democratic alternative to the Washington Consensus. Polity Press.

    ·         Keohane, R. O. (2005). After hegemony: Cooperation and discord in the world political economy. Princeton University Press.

    ·         Mearsheimer, J. J. (2001). The Tragedy of Great Power Politics. W. W. Norton.

    ·         Nye, J. S. (2004). Soft Power: The Means to Success in World Politics. Public Affairs.

    ·         Nye, J. S. (2009). The future of power. PublicAffairs.

    ·         Nussbaum, M. C. (2013). Political Emotions: Why Love Matters for Justice. Harvard University Press.

    ·         Tladi, D. (2023). Marine genetic resources, benefit-sharing and the BBNJ instrument: A Third World approach. International Journal of Marine and Coastal Law

    ·         Voyer, M., Schofield, C., & Azmi, K. (2018). The blue economy in the Indian Ocean Rim: Powering economic growth and sustainable development. Journal of the Indian Ocean Region

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    #Bússola Ep.4

    📌 Sobre a “Bússola”

    Esta é a secção oficial de produção de pensamento estratégico do Disruptive Ocean Hub Angola (DOHA). Um espaço de escrita estruturada, reflexiva e especializada, onde as ideias do DOHA ganham forma pública — sempre ancoradas em análise rigorosa e enquadramento político-científico.

    Os conteúdos aqui publicados são desenvolvidos internamente, com base na investigação em curso no DOHA, especialmente nas áreas de Ciência Política, Relações Internacionais, Políticas Públicas para o Mar e Ambiente, Governança Oceânica e Desenvolvimento Sustentável.

    Esta é mais uma contribuição. Porque desbloquear a Economia Azul exige mais do que boas intenções — exige método, continuidade e coragem intelectual.

    🌊 O mar é de todos. A estratégia tem de ser de alguém.

    #DOHA #PensarOMar #EconomiaAzul #AngolaAzul #ArtigosDOHA #PolíticasPúblicas #Sustentabilidade #Oceano #Inovação #EstratégiaAzul #Futuro

    Ler mais: #Bússola Ep.4 – Diplomacia Azul: Angola e o BBNJ, Plateia ou Palco?
  • #Bússola Ep.3 – Do Extractivismo ao Cosmopolitismo Azul: Repensar o Oceano como Projecto Político Global

    Enquadrar o mar é um desafio tão vasto quanto o próprio horizonte. Durante séculos, o pensamento político concentrou-se no território, nas fronteiras em terra e na soberania dos Estados. O oceano, em contraste, foi visto sobretudo como via de circulação, comércio, palco de guerras e, mais recentemente, fonte de recursos a explorar. Mas no contexto do Antropoceno e das crises ambientais globais, o mar deixa de ser periferia e afirma-se como uma questão política central e inadiável.

    O desafio é claro: será o mar apenas um reservatório de recursos a explorar, ou pode ser concebido como um projecto político global, capaz de gerar novas formas de cooperação, soberania e justiça?

    O Dilema do Extractivismo: Entre Riqueza e Vulnerabilidade

    O desafio de Angola não é explorar mais, mas explorar melhor e transformar o oceano num projecto de futuro. O conceito de extractivismo, amplamente discutido na América Latina (Gudynas, 2013), descreve economias centradas na extracção intensiva de recursos naturais para exportação, com fraca diversificação interna e impactos sociais e ambientais significativos. Em muitos casos, esse modelo está associado à chamada maldição dos recursos (Acemoglu & Robinson, 2012): dependência de rendimentos externos, captura por elites, instabilidade política e baixa inovação.

    Angola exemplifica bem este dilema: a economia do petróleo offshore sustenta receitas fiscais e projecta o país em mercados globais, mas reforça vulnerabilidades. A pesca, por sua vez, enfrenta sobre-exploração e perda de rendimento para pescadores artesanais, evidenciando os limites de uma lógica puramente extractiva.

    Nesse contexto, o mar deixa de ser apenas um espaço de recursos e passa a ser interpretado como um espaço político transnacional (Bueger & Edmunds, 2020), onde a geopolítica marítima, antes dominada por disputas de soberania e controlo de rotas comerciais, abre espaço para debates sobre segurança humana, justiça climática e governança inclusiva.

    É neste cenário que Angola e África se encontram diante de uma encruzilhada: como conciliar a exploração legítima dos recursos com a transição para uma economia azul sustentável e inclusiva?

    Petróleo e pesca: adversários ou aliados?

    Um ponto essencial nesta transição é não cair em falsas dicotomias. A exploração de petróleo offshore, por exemplo, não precisa de ser um inimigo do desenvolvimento sustentável. Pelo contrário, pode ser um pilar de financiamento para investir em inovação, diversificação e sustentabilidade, desde que enquadrada em mecanismos de responsabilidade social, ambiental e de transição energética (OECD, 2021).

    Do mesmo modo, a pesca precisa de ser repensada. Não se trata de acabar com a actividade mas sim de transformar os modelos de exploração: privilegiando a pesca artesanal, as cadeias curtas de valor, a certificação sustentável e a criação de zonas marinhas protegidas que regenerem os ecossistemas (World Bank, 2017).

    O Cosmopolitismo Azul: um novo enquadramento político

    O destino do Atlântico Sul não será decidido apenas nas suas águas, mas na capacidade de países como Angola transformarem o oceano em projecto político de justiça, liderança e prosperidade partilhada.

    O que aqui chamamos de Cosmopolitismo Azul não é apenas uma metáfora, mas uma proposta política concreta para repensar os oceanos como espaço estratégico de governança global e prosperidade partilhada. Esta visão inspira-se em diferentes correntes teóricas [da justiça global (Pogge, 2002) à governança cosmopolita (Held, 2010), passando pelos estudos críticos da economia azul (Childs & Hicks, 2019; Silver & Campbell, 2022)], para propor um novo enquadramento capaz de articular sustentabilidade, justiça e cooperação além-fronteiras.

    Mais do que teoria, trata-se de uma agenda prática: já existem países e regiões que mostram que é possível transformar o mar em motor de desenvolvimento sustentável e liderança global.

    Para Angola e o Atlântico Sul, esta visão é particularmente relevante: significa transformar a dependência do petróleo e a sobre-exploração da pesca em motores de transição para uma economia azul inclusiva e sustentável. Isso implica mecanismos de redistribuição que garantam benefícios reais às comunidades costeiras, fundos de transição que apoiem inovação e diversificação económica, e políticas que priorizem a preservação intergeracional dos recursos.

    No plano da governança, o mar não se governa apenas a partir dos Estados, exige articulação entre soberania nacional (como nas Zonas Económicas Exclusivas), integração regional (SADC, União Africana) e regimes globais (Convenção de Montego Bay, FAO, IMO).

    A inserção de Angola neste quadro passa por assumir uma diplomacia marítima activa, capaz de a posicionar como ponte entre África e o Atlântico Sul, e de projectar o país em redes multilaterais emergentes.

    O desafio, portanto, não é negar a exploração petrolífera ou pesqueira, mas regulá-la como etapa transitória de um modelo de desenvolvimento que combine justiça distributiva, participação comunitária e liderança regional, reposicionando o Atlântico Sul como eixo estratégico de cooperação e prosperidade partilhada.

    Paralelos internacionais: lições úteis

    O Cosmopolitismo Azul não é apenas uma visão teórica: já existe em práticas concretas que transformaram oceanos em motores de desenvolvimento estratégico.

    · Noruega: de país dependente do petróleo a modelo global, conseguiu transformar as receitas do offshore no maior fundo soberano do mundo. Em vez de reforçar desigualdades, investiu em diversificação económica, inovação tecnológica e garantias para as gerações futuras (Norwegian Ministry of Finance, 2023).

    · Índia e Seychelles: incorporaram a economia azul nos seus planos nacionais. As Seychelles apostaram em blue bonds para financiar conservação marinha, enquanto a Índia reforçou o turismo costeiro e as pescas sustentáveis como pilares do desenvolvimento (Voyeur et al., 2018).

    · União Europeia: mostra como a governança multinível pode funcionar. A Política Comum de Pescas e o Planeamento Espacial Marítimo demonstram que Estados diferentes podem coordenar recursos partilhados, equilibrando soberania, sustentabilidade e justiça (European Commission, 2021).

    · África do Sul: através da Operation Phakisa, criou uma agenda nacional para acelerar a economia oceânica, com foco em transporte marítimo, petróleo e gás offshore, aquacultura e protecção ambiental. Apesar dos desafios, este exemplo demonstra como um país africano pode usar o mar como vector central de estratégia económica e diplomática (Republic of South Africa, 2019).

    Estes casos ilustram que o Cosmopolitismo Azul é viável quando há capacidade institucional e vontade política. Para Angola, significa não apenas gerir o petróleo e a pesca, mas reposicionar-se como actor central de um Atlântico Sul mais integrado, sustentável e estratégico.

    Angola: dilema ou oportunidade estratégica?

    Angola encontra-se numa encruzilhada. O petróleo offshore continua a ser indispensável para o financiamento do Estado e não pode ser simplesmente abandonado. Mas pode (e deve) ser reconfigurado politicamente:

    ·         Criar fundos de soberania azul vinculados a receitas petrolíferas, investindo em ciência marinha, infraestruturas costeiras e alternativas económicas.

    ·         Reformar a política das pescas para incluir co-gestão comunitária e a abordagem ecossistémica, já recomendada pela FAO.

    ·         Posicionar-se como actor normativo no Atlântico Sul, reforçando a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS) e aproximando-se de agendas globais de clima e oceanos.

    O dilema angolano é, em termos de RI, uma questão de estratégia de inserção internacional: permanecer como exportador de matérias-primas ou transformar-se em actor cosmopolita, capaz de moldar normas e propor soluções no debate global sobre os oceanos.

    Conclusão

    Repensar o oceano não é sobretudo uma questão política e civilizacional: de como Angola e África podem deixar de ser periferia das cadeias globais de valor para se tornarem protagonistas de um novo paradigma marítimo.

    O desafio é claro: do extractivismo ao cosmopolitismo azul. O futuro do mar será decidido pelas escolhas políticas de hoje.

    #DOHA #Angola #AtlânticoSul #EconomiaAzul #BlueDiplomacy #OceanGovernance #Sustentabilidade #GeopolíticaDoMar #ProsperidadePartilhada

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    Margarida Coelho

    Referências bibliográficas:

    ·         Acemoglu, D., & Robinson, J. A. (2012). Why nations fail: The origins of power, prosperity, and poverty. Crown Business.

    ·         Bueger, C., & Edmunds, T. (2020). Blue crimes: Maritime security, governance and criminology. Contemporary Security Policy.

    ·         Childs, J., & Hicks, C. C. (2019). Securing the blue: Political ecologies of the blue economy in Africa. Journal of Political Ecology.

    ·         European Commission. (2021). Maritime spatial planning. https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy/maritime_spatial_planning_en

    ·         Gudynas, E. (2013). Extractivisms: Tendencies and consequences. In H. Lang & D. Mokrani (Eds.), Beyond development: Alternative visions from Latin America. Rosa Luxemburg Stiftung.

    ·         Held, D. (2010). Cosmopolitanism: Ideals and realities. Polity Press.

    ·         Norwegian Ministry of Finance. (2023). The Government Pension Fund Global. https://www.regjeringen.no/en/topics/the-economy/the-government-pension-fund

    ·         OECD. (2021). OECD green recovery database. OECD Publishing. https://www.oecd.org/environment/green-recovery/

    ·         Pogge, T. (2002). World poverty and human rights: Cosmopolitan responsibilities and reforms. Polity Press.

    ·         Republic of South Africa. (2019). Operation Phakisa: Oceans economy. Department of Planning, Monitoring and Evaluation. https://www.operationphakisa.gov.za

    ·         Shadian, J. M. (2020). The politics of Arctic frontiers: The cosmopolitics of energy. Routledge

    ·         Silver, J. J., & Campbell, L. M. (2022). Blue economy imaginaries: Reconfiguring ocean space in Southeast Asia. Environment and Planning E: Nature and Space

    ·         Voyeur, M., Quirk, G., McIlgorm, A., & Azmi, K. (2018). Shades of blue: What do competing interpretations of the Blue Economy mean for oceans governance? Journal of Environmental Policy & Planning.

    ·         World Bank. (2017). The potential of the Blue Economy: Increasing long-term benefits of the sustainable use of marine resources for small island developing states and coastal least developed countries. World Bank Group. https://openknowledge.worldbank.org/handle/10986/26843#Bússola Ep.3#Bússola Ep.3

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    #Bússola Ep.3

    📌 Sobre a “Bússola”

    Esta é a secção oficial de produção de pensamento estratégico do Disruptive Ocean Hub Angola (DOHA). Um espaço de escrita estruturada, reflexiva e especializada, onde as ideias do DOHA ganham forma pública — sempre ancoradas em análise rigorosa e enquadramento político-científico.

    Os conteúdos aqui publicados são desenvolvidos internamente, com base na investigação em curso no DOHA, especialmente nas áreas de Ciência Política, Relações Internacionais, Políticas Públicas para o Mar e Ambiente, Governança Oceânica e Desenvolvimento Sustentável.

    Esta é mais uma contribuição. Porque desbloquear a Economia Azul exige mais do que boas intenções — exige método, continuidade e coragem intelectual.

    🌊 O mar é de todos. A estratégia tem de ser de alguém.

    #DOHA #PensarOMar #EconomiaAzul #AngolaAzul #ArtigosDOHA #PolíticasPúblicas #Sustentabilidade #Oceano #Inovação #EstratégiaAzul #Futuro

    Ler mais: #Bússola Ep.3 – Do Extractivismo ao Cosmopolitismo Azul: Repensar o Oceano como Projecto Político Global
  • #Bússola Ep.2 – Arquitectura Azul: Precisamos de Estratégia ou de Reprogramação Política?

    A economia azul tem sido frequentemente abordada através de instrumentos técnicos e estratégias nacionais inspiradas por matrizes do Norte Global. No entanto, em contextos como Angola e a região da SADC, tal abordagem corre o risco de ser insuficiente. Este artigo propõe uma reformulação crítica da governança marítima, ancorada em teorias contemporâneas da Ciência Política e das Relações Internacionais, com ênfase na agência local, na descolonização do saber e na inovação institucional. Defende-se uma “Arquitectura Azul” orientada não apenas por estratégias lineares, mas por modelos de governança adaptativa, policêntrica e pós-desenvolvimentista.

    1. Do Planeamento Técnico à Imaginação Política

    Angola tem um potencial marítimo imenso, tanto em recursos como em geoestratégia. Mas para transformar esse potencial em liderança regional na economia azul, é preciso muito mais do que políticas sectoriais. É necessário imaginar novas formas de decisão, planeamento e justiça, um verdadeiro projecto político azul.

    O mar tem sido tradicionalmente concebido como um domínio técnico ou natural, um espaço a ser explorado, regulado ou protegido. A ascensão da “economia azul” reforçou essa tendência, traduzindo-se em estratégias nacionais e planos sectoriais baseados numa racionalidade instrumental. Contudo, esta visão tende a obscurecer a natureza política do mar, como espaço de soberania, disputa e construção institucional.

    Este artigo propõe uma abordagem alternativa, interrogando: Será que precisamos de mais estratégias, ou de uma reprogramação política do modo como concebemos o mar? Em vez de uma estratégia nacional de economia azul, linear e vertical, defendemos a construção de uma Arquitetura Azul, um modelo político-institucional plural, situado e transformador.

    2. Da Estratégia à Ecologia Política do Oceano

    Falar de economia azul não é apenas delinear uma estratégia nacional. É, antes, construir uma visão colectiva e crítica sobre o lugar que o mar ocupa na ordem política, económica e social. A ecologia política do oceano (Campling, Havice & Howard, 2021) convida-nos a analisar os interesses, os actores e as estruturas de poder que moldam a governação marítima.

    Ao invés de limitar o debate à exploração de recursos ou atracção de investimento, importa discutir quem decide sobre o mar, com que legitimidade, e com que impactos para os territórios costeiros e suas comunidades. Estratégia, neste contexto, não é apenas técnica, é política.

    3. Por uma Gramática Política Local

    As estratégias azuis dominantes, inspiradas por modelos do Norte Global, tendem a ignorar as especificidades ecológicas, históricas e culturais do Sul Global. Escobar (2012) e Gudynas (2011) alertam para os riscos de uma racionalidade desenvolvimentista que, mesmo com intenções sustentáveis, pode continuar a marginalizar os saberes locais e reforçar dinâmicas extractivistas.

    Inspirando-nos em Acharya (2014), é fundamental promover uma epistemologia alternativa nas Relações Internacionais, uma “IR made in Africa”, que reconheça a capacidade dos territórios africanos de gerar soluções próprias, não apenas replicar modelos importados.

    4. Governança Policêntrica e Soberania Cooperativa

    O modelo de governação multinível, proposto por Hooghe e Marks (2001), oferece uma estrutura analítica útil para pensar a economia azul de forma distribuída. Em vez de planificação centralizada, propõe-se uma articulação entre escalas (nacional, provincial, comunitária) respeitando a diversidade institucional e sociocultural do território.

    Essa abordagem articula-se com a ideia de soberania cooperativa (Risse, 2011), onde o exercício do poder não é monopolizado pelo Estado, mas partilhado com comunidades e actores transnacionais. O mar angolano não se limita à sua capital política e administrativa, ele abrange uma diversidade de territórios costeiros com história, saber e capacidade de decisão. Para que a governação azul seja efectivamente transformadora, é imperativo criar espaços institucionais onde esses territórios deixem de ser meros locais de execução e passem a assumir um papel activo na concepção e deliberação das políticas públicas.

    O futuro azul será policêntrico ou será frágil.

    5. Reprogramar o Poder

    A concepção tradicional de estratégia tende a criar comités formais, hierarquias técnicas e soluções verticalizadas. No entanto, como argumenta Ostrom (2009), sistemas complexos exigem governação adaptativa, com instituições híbridas, flexíveis e capazes de aprender.

    Isso implica a criação de arenas plurais de decisão, onde pescadores, cientistas, mulheres costeiras e líderes tradicionais cocriem políticas. A participação não pode ser apenas simbólica ou consultiva. Como propõe Cornwall (2002), participação transformadora implica redistribuir poder, validar saberes locais e garantir influência real nas decisões. A agência local deve ser reconhecida como capacidade política, e não como entrave técnico.

    6. Responsabilidade Política e Justiça Oceânica

    Reprogramar a governação do mar exige também repensar a responsabilidade política. Não se trata apenas de repensar instituições ou adoptar novas teorias, mas de identificar claramente quem decide, com que meios, com que obrigações e em nome de quem.

    A literatura em governança global em contextos de soberania limitada (Risse, 2011) alerta para o risco da diluição de responsabilidades. É preciso criar mecanismos de accountability que assegurem justiça oceânica (Campling, Havice & Howard, 2021) e equidade na distribuição dos benefícios.

    A responsabilidade azul deve assumir três dimensões interligadas:

    · Responsabilidade institucional: clarificação de papéis entre Estado, sector privado e comunidades.

    · Responsabilidade social: garantir participação activa e deliberativa das comunidades costeiras.

    · Responsabilidade ecológica: reconhecer o dever de preservar os ecossistemas marinhos como património comum e intergeracional.

    Sem estas três dimensões, qualquer discurso azul corre o risco de ser politicamente inócuo.

    7. Conclusão: O Mar como Projecto Político

    A liderança azul de Angola não será determinada apenas por recursos naturais ou extensão costeira. Será determinada pela capacidade de construir uma agenda marítima própria, crítica e enraizada.

    A arquitectura política da economia azul em Angola não pode ser meramente técnica. Deve ser construída com base em novas formas de pensar o poder, a soberania e a participação. Estratégia, neste contexto, não é apenas planeamento, é disputa por significados, valores e futuros possíveis.

    Reprogramar o mar como território político é, portanto, um acto radicalmente necessário. A verdadeira transformação azul em Angola dependerá menos de documentos estratégicos e mais da capacidade de imaginar, instituir e habitar formas plurais e responsáveis de governança.

    Reimaginar o mar como território político é assumir a responsabilidade de decidir quem tem voz, com que legitimidade e por qual futuro. Estaremos preparados para essa escolha?

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    Margarida Coelho

    Referências bibliográficas:

    Acharya, A. (2014). Global International Relations (IR) and Regional Worlds: A New Agenda for International Studies. International Studies Quarterly, 58(4), 647–659. https://doi.org/10.1111/isqu.12171

    Avant, D. D., Finnemore, M., & Sell, S. K. (Eds.). (2010). Who Governs the Globe? Cambridge University Press. https://doi.org/10.1017/CBO9780511845369

    Campling, L., Havice, E., & Howard, J. (2021). The Political Economy of the Blue Economy: Lessons from the Pacific for the Global South. Journal of Agrarian Change, 21(1), 109–137. https://doi.org/10.1111/joac.12383

    Cornwall, A. (2002). Making Spaces, Changing Places: Situating Participation in Development. IDS Working Paper 170.

    Escobar, A. (2012). Encountering Development: The Making and Unmaking of the Third World. Princeton University Press.

    Gudynas, E. (2011). Buen Vivir: Today’s Tomorrow. Development, 54(4), 441–447. https://doi.org/10.1057/dev.2011.86

    Hajer, M. A. (2003). Policy without Polity? Policy Analysis and the Institutional Void. Policy Sciences, 36(2), 175–195. https://doi.org/10.1023/A:1024834510939

    Hooghe, L., & Marks, G. (2001). Types of Multi-Level Governance. European Integration Online Papers (EIoP), 5(11). https://doi.org/10.2139/ssrn.302786

    Ostrom, E. (2009). A General Framework for Analyzing Sustainability of Social-Ecological Systems. Science, 325(5939), 419–422. https://doi.org/10.1126/science.1172133

    Risse, T. (2011). Governance Without a State? Policies and Politics in Areas of Limited Statehood. Columbia University Press.

    Article content
    #Bússola Ep.2

    📌 Sobre a “Bússola”

    Esta é a secção oficial de produção de pensamento estratégico do Disruptive Ocean Hub Angola (DOHA). Um espaço de escrita estruturada, reflexiva e especializada, onde as ideias do DOHA ganham forma pública — sempre ancoradas em análise rigorosa e enquadramento político-científico.

    Os conteúdos aqui publicados são desenvolvidos internamente, com base na investigação em curso no DOHA, especialmente nas áreas de Ciência Política, Relações Internacionais, Políticas Públicas para o Mar e Ambiente, Governança Oceânica e Desenvolvimento Sustentável.

    Esta é mais uma contribuição. Porque desbloquear a Economia Azul exige mais do que boas intenções — exige método, continuidade e coragem intelectual.

    🌊 O mar é de todos. A estratégia tem de ser de alguém.

    #DOHA #PensarOMar #EconomiaAzul #AngolaAzul #ArtigosDOHA #PolíticasPúblicas #Sustentabilidade #Oceano #Inovação #EstratégiaAzul #Futuro

    Ler mais: #Bússola Ep.2 – Arquitectura Azul: Precisamos de Estratégia ou de Reprogramação Política?
  • 📘 #PontoAzul – Ep.7 – Maricultura 🐟 Piscicultura Marinha: Cultivar o Oceano com Inovação

    Com o oceano sob crescente pressão, a piscicultura marinha — ou seja, o cultivo de peixes no mar — surge como uma solução estratégica para responder à procura alimentar, gerar rendimento azul e reduzir a pressão sobre os stocks selvagens.
    Neste episódio, olhamos para exemplos inspiradores, espécies viáveis e caminhos para Angola.

    🧠 Espécies Promissoras na Maricultura – Peixe

    🔹 Robalo (Dicentrarchus labrax) – amplamente produzido no Mediterrâneo, com boa aceitação de mercado
    🔹 Dourada (Sparus aurata) – espécie consolidada em Portugal e Espanha, valorizada gastronomicamente
    🔹 Corvina (Argyrosomus regius) – elevada qualidade de carne, potencial crescente em aquacultura
    🔹 Garoupa (Epinephelus spp.) – espécie nobre, com desafios técnicos mas elevado valor comercial
    🔹 Seriola / Kampachi (Seriola rivoliana) – rápido crescimento e bom rendimento alimentar
    🔹 Cobia (Rachycentron canadum) – carne branca, cultivo eficiente e mercado em expansão

    🌍 Casos Internacionais Inspiradores

    🇵🇦 Open Blue (Panamá)
    Uma das maiores mariculturas offshore do mundo. Cultiva cobia com foco em rastreabilidade e sustentabilidade.

    🇺🇸 Ocean Era (EUA)
    Integra piscicultura com algicultura e regeneração oceânica. Plataforma de maricultura sustentável.

    🇺🇸 Blue Ocean Mariculture (Havai)
    Primeira empresa de piscicultura offshore aprovada nos EUA. Cultiva seriola com forte controlo ambiental.

    🇵🇹 SEA EIGHT (Portugal)
    Sistemas RAS em terra para produção de linguado, com exportação e rastreabilidade total.

    🇵🇹 S2AQUAcoLAB (Portugal)
    Centro colaborativo que apoia o desenvolvimento sustentável de espécies como corvina, garoupa e dourada. Actua na interface entre I&D, empresas e sector público.

    📌 E em Angola?
    Com mais de 1.600 km de costa diversificada, zonas abrigadas e indústria pesqueira com conhecimento técnico instalado e que pode ser adaptado, Angola reúne condições únicas para:

    🔹 Desenvolver zonas-piloto de piscicultura com universidades e empresas
    🔹 Criar cadeias de valor costeiras com foco em rastreabilidade e sustentabilidade
    🔹 Atrair investimento para sistemas offshore ou híbridos com energia renovável
    🔹 Diversificar a alimentação e gerar emprego azul localmente

    📘 No próximo episódio (#PontoAzul Ep.8), mergulhamos no mundo da Malacocultura — o cultivo de ostras, mexilhões e outros bivalves com impacto regenerativo direto.



    🧭 “Knowledge precedes transformation.”
    hashtag#PontoAzul hashtag#PisciculturaMarinha hashtag#EconomiaAzul hashtag#Maricultura hashtag#Aquacultura hashtag#PeixeSustentável hashtag#InovaçãoAzul hashtag#AngolaAzul hashtag#DOHA hashtag#BlueFood hashtag#SeaEight hashtag#OpenBlue hashtag#OceanEra hashtag#BlueOceanMariculture hashtag#S2AQUAcoLAB

    Ler mais: 📘 #PontoAzul – Ep.7 – Maricultura 🐟 Piscicultura Marinha: Cultivar o Oceano com Inovação
  • 📚 #MitosDoMar – Ep.7🐟 Maricultura: Desmistificar o cultivo do mar como fonte de alimento sustentável

    Quando se fala em alimentação, o oceano continua a ser visto como um espaço de pesca — e só isso.
    Mas há muito mais.
    Hoje, o mar também se cultiva.
    A maricultura é uma alternativa estratégica à pesca selvagem, com potencial para garantir segurança alimentar, gerar emprego azul e regenerar ecossistemas marinhos — se for feita com método, planeamento e responsabilidade.

    🧠 Literacia Oceânica – Tipos de Maricultura:
    🔹 Costeira – Jaulas ou estruturas flutuantes instaladas perto da costa
    🔹 Offshore (mar aberto) – Cultivo em águas profundas, com maior escala e menor impacto costeiro
    🔹 Em terra com água do mar – Sistemas fechados (RAS) que permitem controlo total
    🔹 Multitrófica (IMTA) – Integra peixes, moluscos e algas, reduzindo resíduos e aumentando a eficiência

    ✅ Vantagens da Maricultura:
    🔹 Produz alimentos com rastreabilidade e menor impacto ambiental
    🔹 Reduz a pressão sobre os stocks selvagens de peixe
    🔹 Gera emprego e valor nas comunidades costeiras
    🔹 Permite regenerar ecossistemas (ex: ostras, mexilhão, amêijoas e algas)
    🔹 Pode ser integrada com energia azul, rastreabilidade digital e inovação tecnológica

    ⚠️ Desafios e limitações:
    🔸 Investimento inicial elevado em infraestruturas e licenciamento
    🔸 Dependência de rações equilibradas, muitas vezes ainda com base em peixe selvagem (o que pode ser um paradoxo)
    🔸 Vulnerabilidade a doenças, tempestades e poluição marinha
    🔸 Conflitos com outras actividades costeiras (pesca, turismo, transporte)
    🔸 Falta de legislação clara e zonas licenciadas em muitos países, incluindo Angola

    ❌ Mitos a desmontar:
    🔸 “Maricultura é só peixe em Jaulas.”
    👉 Falso. Também se cultivam moluscos, algas e crustáceos — no mar ou em terra.
    🔸 “É pesca com outro nome.”
    👉 Não. É cultivo controlado, com métodos e cadeias de valor próprios.
    🔸 “É uma ameaça ao ambiente.”
    👉 Mal feita, sim. Mas existe a maricultura regenerativa, que ajuda a recuperar o oceano.

    📘 Fica atento ao próximo #PontoAzul Ep.7, onde vamos explorar:
    🔹 Exemplos internacionais de maricultura sustentável
    🔹 Espécies promissoras e tecnologias inovadoras
    🔹 Como Angola pode posicionar-se neste novo capítulo azul


    📚 “Knowledge precedes transformation.”

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    Ler mais: 📚 #MitosDoMar – Ep.7🐟 Maricultura: Desmistificar o cultivo do mar como fonte de alimento sustentável
  • #Bússola Ep.1 – Angola e o Potencial Azul: É Hora de Traçar o Rumo!

    Angola e o Potencial Azul: É Hora de Traçar o Rumo!

    Angola possui um oceano vasto, diverso e cheio de potencial inexplorado. Esta é uma riqueza que nos desafia a olhar para o mar não apenas como um recurso, mas como um motor estratégico para o nosso futuro. Enquanto outros países já navegam a todo o vapor na Economia Azul, nós ainda estamos a ajustar as velas. Temos uma costa incrível, mas precisamos de uma bússola clara para nos guiar.

    Em diversas nações, o mar impulsiona o crescimento, a inovação e a sustentabilidade. Para Angola, é chegado o momento de transformar esse recurso numa estratégia robusta e integrada.

    A Economia Azul, sobretudo no Sul Global, não é apenas uma agenda ambiental ou económica — é também uma construção política que envolve decisões sobre soberania, justiça e acesso ao território marinho (Silver et al., 2015). Ignorar essa dimensão pode reduzir a Economia Azul a um simples catálogo de projectos e financiamentos, em vez de uma visão soberana de futuro.

    Para concretizar essa visão, é fundamental focar em:

    · Uma Estratégia Nacional Integrada para a Economia Azul: precisamos de um plano coeso e ambicioso.

    · Coordenação eficaz entre os diversos sectores e instituições envolvidas: a união faz a força, especialmente no mar.

    · Quadros legais claros para impulsionar a inovação costeira: segurança jurídica para quem quer investir e inovar.

    · Acesso estruturado a financiamento internacional: parcerias e investimentos são cruciais para alavancar projectos.

    · Alternativas sustentáveis para as comunidades costeiras: garantir que o desenvolvimento beneficie directamente quem vive do mar.

    Há um ponto crucial que não podemos ignorar: o conhecimento sobre o mar que Angola já possui. Ele está presente na prática quotidiana, na investigação local e na vivência das comunidades costeiras. Não faltam ideias ou sabedoria; o que precisamos é de uma estrutura para reconhecer, integrar e projectar esse conhecimento num modelo de desenvolvimento sério, contínuo e regenerativo. Como defendem Ehler e Douvere (2009), uma abordagem ecossistémica exige integrar ciência, participação e política pública numa estratégia coerente, adaptável e coordenada entre sectores e escalas de governação.

    Valorizar o oceano significa também respeitar e empoderar quem já vive com ele – e a partir dele – há gerações.

    Sem uma estratégia definida, corremos o risco de perder tempo e grandes oportunidades. Perde-se também a oportunidade de construir uma Economia Azul que seja um verdadeiro reflexo da identidade costeira e cultural angolana, em vez de ser apenas uma cópia de modelos importados.

    Como alertam Voyer et al. (2018), a imposição de modelos internacionais de Economia Azul, quando não adaptados às realidades locais, pode gerar exclusões, conflitos e invisibilização de saberes tradicionais. Angola deve construir a sua própria narrativa oceânica — ancorada no contexto angolano e africano, e não em fórmulas exteriores.

    Pensar o mar com método e estrutura é o primeiro e mais importante passo para o transformar num pilar de prosperidade para Angola.

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    Margarida Coelho

    Sobre a “Bússola”

    Esta é a secção oficial de produção de pensamento estratégico do Disruptive Ocean Hub Angola (DOHA). Um espaço de escrita estruturada, reflexiva e especializada, onde as ideias do DOHA ganham forma pública, sempre ancoradas em análise rigorosa e enquadramento político-científico.

    Os conteúdos aqui publicados são desenvolvidos internamente, com foco na investigação em curso no DOHA, especialmente nas áreas de: Ciência Política, Relações Internacionais, Políticas Públicas para o Mar e Ambiente, Governança Oceânica e Desenvolvimento Sustentável.

    Esta é a nossa primeira contribuição, e muitas outras virão. Porque desbloquear a Economia Azul exige mais do que boas intenções – exige método, continuidade e coragem intelectual.

    O mar é de todos. A estratégia tem de ser de alguém.

    #DOHA #PensarOMar #EconomiaAzul #AngolaAzul #ArtigosDOHA #PolíticasPúblicas #Sustentabilidade #Oceano #Inovação #EstratégiaAzul #Futuro

    Ehler, C., & Douvere, F. (2009). Marine spatial planning: a step-by-step approach toward ecosystem-based management. Intergovernmental Oceanographic Commission and Man and the Biosphere Programme. UNESCO. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000186559

    Silver, J. J., Gray, N. J., Campbell, L. M., Fairbanks, L. W., & Gruby, R. L. (2015). Blue economy and competing discourses in international oceans governance. The Journal of Environment & Development, 24(2), 135–160. https://doi.org/10.1177/1070496515580797

    Voyer, M., Quirk, G., McIlgorm, A., & Azmi, K. (2018). Shades of blue: What do competing interpretations of the Blue Economy mean for oceans governance? Journal of Environmental Policy & Planning, 20(5), 595–616. https://doi.org/10.1080/1523908X.2018.1473153

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    Ler mais: #Bússola Ep.1 – Angola e o Potencial Azul: É Hora de Traçar o Rumo!
  • 📘 #PontoAzul – Ep.6 Energia Azul em Angola: Entre o Mar e a Transição Energética

    Como o oceano pode tornar-se uma nova fronteira energética para o país — com inovação, alianças e visão estratégica.
    A transição energética global está em curso — mas o seu sucesso dependerá de soluções diversificadas, limpas e soberanas.

    O oceano oferece múltiplas formas de energia: ondas, marés, gradientes térmicos e salinos, ventos costeiros, solar flutuante, biomassa marinha, hidrogénio verde offshore.

    Angola tem vastas zonas de plataforma continental, sol abundante e um know-how offshore já instalado.
    Mas falta ligar o mar à rede. E para isso, precisamos de visão estratégica.

    🌍 Quem já está a fazer acontecer?
    🔧 Empresas

    Tecnologias inovadoras que já estão a transformar o oceano em energia:


    AquaWind Project (UE) – Plataforma híbrida de energia e aquacultura offshore
    CorPower Ocean (Suécia/Portugal) – Energia das ondas com elevada eficiência
    Eco Wave Power (Israel/Suécia) – Instalações em quebra-mares urbanos (ex: Gibraltar, Leixões)
    OW Ocean Winds (Portugal/Espanha) – Parques eólicos flutuantes como o WindFloat Atlantic
    SeaH4 (África do Sul) – Produção de e-metanol e combustíveis limpos a partir de macroalgas
    Floating Power Plant (Dinamarca) – Combinação de energia das ondas + eólica numa só plataforma

    🧠 Hubs de Investigação e Inovação Aplicada
    Centros que lideram testes, políticas públicas e transferência de conhecimento:
    FORCE – Fundy Ocean Research Center for Energy (Canadá) – Centro global de testes em energia das marés
    Blue Economy CRC (Austrália) – Hub interdisciplinar de plataformas energéticas offshore
    Cantabria Coastal and Ocean Basin – IHCantabria (Espanha) – Laboratório avançado de testes oceânicos
    INESC TEC.Ocean (Portugal) – Referência europeia em tecnologias de energia azul

    ⚓ Angola tem tudo para se tornar um hub de energia azul no continente — se agir com visão e estratégia:
    Plataformas offshore instaladas (TotalEnergies, bp, Chevron, Eni, etc.) podem integrar turbinas eólicas, painéis solares flutuantes ou produção de hidrogénio verde.
    Portos e zonas costeiras rasas são ideais para testes de soluções fotovoltaicas marítimas.
    Zonas económicas especiais podem albergar indústrias limpas alimentadas por energia do mar.

    🔧 Recomendações DOHA
    – Realizar um diagnóstico energético-marítimo nacional
    – Firmar parcerias técnicas com hubs internacionais e startups
    – Criar zonas-piloto costeiras para testes com foco em inovação azul
    – Alinhar com Angola Energia 2025 e atrair financiamento climático internacional
    – Fomentar um cluster de energia regenerativa azul com universidades, empresas e governo

    🌊 A energia azul é mais do que uma solução tecnológica. É uma aposta soberana, regenerativa e estratégica.

    🔌 É hora de ligar o mar à rede.


    🌀 “Knowledge precedes transformation.”

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    Ler mais: 📘 #PontoAzul – Ep.6 Energia Azul em Angola: Entre o Mar e a Transição Energética
  • 📚 #MitosDoMar – Ep. 6⚡ Energia Azul: Desmistificar o potencial do mar como fonte de energia limpa

    Quando se fala em energia, o mar raramente entra na conversa.
    Mas devia.
    O oceano esconde um enorme potencial energético — renovável, limpo e contínuo — que pode ajudar a acelerar a transição energética e reforçar a segurança climática global.

    🧠 Literacia Oceânica – Tipos de “Energia Azul”:
    🔹 Energia das ondas – converte o movimento da superfície do mar em eletricidade
    🔹 Energia das marés – previsível e rítmica, utiliza o fluxo e refluxo da maré
    🔹 Correntes oceânicas – alimentam turbinas submersas
    🔹 Gradientes térmicos e salinos – aproveitam diferenças de temperatura/salinidade
    🔹 Energia eólica offshore – turbinas instaladas no mar, com alto rendimento
    🔹 Sistemas fotovoltaicos flutuantes – painéis solares em zonas costeiras e lacustres
    🔹 Biomassa marinha – transformada em bioenergia e biocombustíveis
    🔹 Hidrogénio verde offshore – produzido a partir da eletrólise da água do mar, usando energia renovável

    ⚠️ Nota importante:
    Nem todas estas tecnologias estão em fase comercial.
    Algumas estão em fase experimental ou de demonstração — mas todas fazem parte de um conjunto de soluções emergentes que ligam o oceano à transição energética.

    🌍 E o papel das indústrias energéticas?
    🔹 A própria indústria petrolífera está a explorar formas de integrar energias limpas em plataformas offshore — e Angola tem todo o know-how técnico para dar esse salto.
    O cruzamento entre transição energética e Economia Azul é uma oportunidade concreta para posicionar Angola como líder regional em inovação energética marinha — se houver visão estratégica e alianças certas.

    ❌ Mitos a desmontar:
    🔸 “O mar não serve para produzir energia.”
    👉 Falso. O mar oferece múltiplas formas de energia renovável.
    🔸 “É tecnologia do futuro.”
    👉 A eólica offshore já é realidade. Outras fontes estão em rápida evolução.
    🔸 “É só para países desenvolvidos.”
    👉 África do Sul, Marrocos e Maurícias já têm projetos-piloto em energia azul.

    📘 Fica atento ao próximo #PontoAzul Ep.6, onde exploramos casos concretos, tecnologias emergentes e como Angola pode posicionar-se nesta nova vaga energética.



    📚 “Knowledge precedes transformation.”
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    Ler mais: 📚 #MitosDoMar – Ep. 6⚡ Energia Azul: Desmistificar o potencial do mar como fonte de energia limpa
  • 🎙️ Nova Série #Bússola

    O mar precisa de mais do que opinião. Precisa de narrativa com método.

    O DOHA – Disruptive Ocean Hub Angola 🇦🇴 é uma plataforma independente de conhecimento, diálogo e estratégia para desbloquear o potencial da Economia Azul no país.
    Hoje, damos mais um passo.

    🌊 Lançamos a #Bússola, nova secção editorial do DOHA dedicada à reflexão estruturada sobre política oceânica, governação do mar, economia azul e desenvolvimento institucional.

    E é com enorme satisfação que damos as boas-vindas à Margarida Coelho – 🖋️ Associated Writer – Ocean Governance & Political Affairs.
    Jurista e doutoranda em Ciência Política e Relações Internacionais, com investigação centrada na Economia Azul e na transformação institucional em Angola.
    No DOHA, a Margarida trará artigos de opinião, análises críticas e propostas de política baseadas em evidência local, pensamento estratégico e visão de futuro.

    📘 A rubrica #Bússola será publicada com regularidade, articulando conhecimento angolano com os grandes desafios globais da governação oceânica.

    📅 Em breve: o primeiro artigo.

    Este é apenas o início.
    Seguimos com método, continuidade e ambição partilhada.


    “Knowledge precedes transformation.”
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    Ler mais: 🎙️ Nova Série #Bússola
  • 📘 #PontoAzul – Episódio 5 🌊 Turismo Azul: Regenerar. Educar. Prosperar.

    O Turismo Azul é mais do que um sector económico em crescimento.
    É uma ponte entre conservação e desenvolvimento, cultura e economia, ciência e comunidade.
    Em vez de turismo de massas, aposta-se numa experiência consciente — onde cada visitante aprende, contribui e respeita o oceano.

    É aqui que entra o Turismo Azul:
    Um conjunto de atividades que ligam mar, economia e cultura — com respeito ecológico e impacto local.

    🔹 O que define o Turismo Azul Sustentável?
    • Protege os ecossistemas marinhos
    • Educa e sensibiliza os visitantes
    • Gera empregos e valor local
    • Valoriza a identidade costeira
    • Promove inovação e regeneração

    🇦🇴 Exemplos feito em Angola que inspiram:

    🎬 “Virei” (2024) – documentário – Um retrato do potencial do surf em Angola como motor de desenvolvimento, educação ambiental e projeção internacional.

    🌊 Ombissi Divers Benguela
    Clube de mergulho recreativo com educação marinha e formação creditada de mergulhadores, promove o turismo subaquático e defende os ecossistemas costeiros.

    🌍 Exemplos Internacionais de referência:

    🇵🇹 Açores (Portugal)
    • Primeiro arquipélago certificado como destino turístico sustentável
    Blue Azores: áreas marinhas protegidas com gestão participativa
    • Turismo científico ligado a centros de investigação e literacia oceânica

    🌴 Zanzibar (Tanzânia)
    • Turismo comunitário ecológico em áreas como Kizimkazi
    • Mergulho e visitas guiadas integradas em planos de economia azul local

    🐚 Madagascar (Velondriake LMMA)
    • Modelo de gestão comunitária ligada à conservação marinha
    • Turismo ecológico associado a maricultura de algas e pepinos-do-mar

    🏝️ Moçambique (Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto)
    • Turismo de alta qualidade, baixo impacto e integração com conservação
    • Projetos que aliam biodiversidade, cultura local e experiências oceânicas

    📌 E em Angola?
    O país possui centenas de quilómetros de costa, riqueza natural e diversidade cultural — e tem tudo para se afirmar no turismo azul, com inovação, identidade e sustentabilidade.

    🎯 O desafio?
    Evitar o extrativismo turístico e criar valor partilhado — com comunidades no centro, ciência por base, respeito ecológico e o oceano como aliado.

    🌐 O futuro do turismo pode — e deve — ser azul.



    📚 “Knowledge precedes transformation.”

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    Ler mais: 📘 #PontoAzul – Episódio 5 🌊 Turismo Azul: Regenerar. Educar. Prosperar.
  • 📚 #MitosDoMar – Episódio 5 🌊 “O que é o Turismo Azul?”

    Quando se fala em Turismo Azul, muitos pensam logo em sol, praia e cruzeiros.
    Mas o verdadeiro Turismo Azul é bem mais do que lazer — é uma forma de viver, conhecer e respeitar o oceano.

    🌊 Turismo Azul é:
    O conjunto de atividades turísticas ligadas ao oceano, zonas costeiras e ecossistemas aquáticos, que respeitam os princípios da sustentabilidade e contribuem para:

    🧠 Educação e sensibilização oceânica
    🌱 Proteção ambiental e regeneração de ecossistemas
    💼 Geração de emprego e dinamização da economia local
    🌊 Valorização cultural e identidade costeira
    ⚓ Uso responsável dos recursos marinhos e litorais

    ❌ Mitos a desmontar
    🔸 “É só turismo de praia.”
    👉 Pode incluir ecoturismo, turismo comunitário, científico e náutico.
    🔸 “É um setor neutro.”
    👉 Se mal gerido, pode poluir, destruir habitats e excluir comunidades.
    🔸 “É só para grandes projectos ou elites.”
    👉 Pode (e deve) ser liderado por comunidades locais, com benefícios reais e partilhados.

    🌊 Alguns tipos de Turismo Azul

    🔹 Ecoturismo marinho: mergulho, observação de golfinhos, recifes
    🔹 Turismo comunitário: visitas guiadas por pescadores, saberes tradicionais
    🔹 Turismo científico e educativo: museus do mar, campanhas com navios de investigação
    🔹 Turismo náutico sustentável: vela, canoagem, passeios de baixo impacto
    🔹 Turismo de Surf e valorização costeira: escolas de surf, identidade juvenil e preservação de zonas balneares com valor ecológico

    🇦🇴 E em Angola?
    O país possui centenas de quilómetros de costa, biodiversidade marinha única e comunidades costeiras vibrantes — e tem tudo para desenvolver formas sustentáveis e regenerativas de turismo ligado ao mar.

    📌 O turismo quer afirmar-se como uma aposta estratégica em Angola, mas a sua vertente oceânica e costeira continua pouco explorada.
    Há uma oportunidade concreta para integrar economia, cultura e conservação — com as comunidades no centro.

    📅 Esta semana, no #PontoAzul Ep. 5, vamos mostrar exemplos concretos de empresas e projectos que estão a transformar o turismo azul em oportunidades reais — em África e no mundo.

    🎓 Turismo Azul não é apenas um sector económico
    É uma ferramenta de educação, regeneração e justiça ecológica.



    📚Conhecer o mar — é o primeiro passo para protegê-lo.

    “Knowledge precedes transformation.”
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    Ler mais: 📚 #MitosDoMar – Episódio 5 🌊 “O que é o Turismo Azul?”
  • 📘 #PontoAzul – Ep. 4🌿 Algas: Anúncio da Criação da UN Seaweed Task Force

    Na #UNOC2025 foi dado um passo histórico:
    🌐 As Nações Unidas anunciaram a criação da UN Seaweed Task Force — uma coligação internacional para coordenar políticas, investigação, financiamento e padrões globais para o setor das algas.

    A iniciativa está a ser impulsionada pela Global Seaweed Coalition e pela INTERNATIONAL SEAWEED ASSOCIATION entre outras, com apoio de agências da ONU como a FAO, UN Trade and Development (UNCTAD), UNEP, UNIDO, e de países como França, Madagascar, Indonésia e Coreia do Sul.

    🎯 O objetivo é claro:
    ✔️ Acelerar soluções sustentáveis com base nas algas
    ✔️ Promover inclusão social e crescimento azul justo
    ✔️ Conectar ciência, política e economia regenerativa

    📌 Angola ainda não está entre os países apoiantes.
    Mas tem tudo para estar.
    Com mais de 1.600 km de costa, biodiversidade marinha única e comunidades costeiras vulneráveis, Angola tem potencial para desenvolver maricultura regenerativa e acompanhar a tendência e inovação em:

    – biofertilizantes
    – biotecnologia azul, cosmética e alimentação
    – embalagens sustentáveis e bioenergia

    Rumo à diversificação económica, dinamização de economias locais e criação de empregos azuis.

    📢 O DOHA apoia firmemente esta iniciativa.
    E propõe que Angola:

    🔹 Manifeste a sua intenção de aderir à UN Seaweed Task Force
    🔹 Mobilize parcerias entre governo, universidades, startups e sociedade civil
    🔹 Acompanhe o avanço de soluções baseadas em algas

    🌍 As algas não são apenas um recurso.
    São uma oportunidade estratégica para o futuro da Economia Azul, da resiliência climática e da justiça ecológica global.

    🌀 O mundo está a organizar-se. E está na hora de Angola marcar presença.

    E o futuro azul passa por aqui.



    🟦 “Knowledge precedes transformation.”

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    Ler mais: 📘 #PontoAzul – Ep. 4🌿 Algas: Anúncio da Criação da UN Seaweed Task Force
  • 📚 #MitosDoMar – Ep.4🛳️ “O que faz um navio de investigação científica?”

    O mar cobre 70% do planeta. Mas quanto dele realmente conhecemos?
    A ciência oceânica é a base de qualquer estratégia de proteção e desenvolvimento sustentável dos oceanos — e é aí que entram os navios de investigação científica.

    Não são navios de guerra. Nem de pesca. Nem de turismo.
    São plataformas flutuantes de conhecimento: laboratórios que escutam, medem, analisam e ajudam a entender o oceano em toda a sua complexidade.

    🌍 Exemplos que estão a transformar o conhecimento sobre os oceanos:
    • 🧭 Calypso (França) – o navio mítico de Jacques-Yves Cousteau, que revelou ao mundo a beleza e a fragilidade dos mares
    • 🌋 Atlantis (EUA) – casa do submersível Alvin, que explorou as profundezas abissais e as fontes hidrotermais
    • ❄️ Polarstern (Alemanha) – navio polar que cruzou o Ártico preso no gelo para estudar as mudanças climáticas
    • 🌊 Marion Dufresne II (França) – equipado para perfuração oceânica e estudos geológicos e climáticos
    • 🇵🇹 NRP D. Carlos I (Portugal) – da Marinha Portuguesa – Página Oficial, aplicação prioritária como navio hidrográfico e oceanográfico
    • 🌐 Falkor (too) – operado pelo Schmidt Ocean Institute, com 110 m, 8 laboratórios, ROVs avançados e dezenas de expedições transmitidas em streaming global

    🌐 Uma rede científica global que mapeia o oceano, um dado de cada vez
    Navios como estes fazem parte de uma rede internacional coordenada — universidades, governos e fundações que recolhem e partilham conhecimento científico para estudar, proteger e transformar o oceano.

    🔎 Exemplos de destaque nesta rede global:
    • 🇺🇸 UNOLS – coordena a frota académica dos EUA, envolvendo universidades como Scripps, Columbia e Washington em expedições científicas multidisciplinares
    • 🌍 NOAA Ocean Exploration – lidera programas de mapeamento oceânico, biodiversidade marinha e missões públicas com transmissão em tempo real
    • 🌊 Schmidt Ocean Institute – promove ciência aberta com dados partilhados, ROVs de grande profundidade e ações de literacia oceânica
    • 🇩🇪 GEOMAR Helmholtz-Zentrum für Ozeanforschung Kiel– referência em geologia marinha, modelação climática e ecossistemas profundos
    • 🇪🇺 ECORD / IODP – consórcio europeu que lidera perfurações oceânicas para estudar o paleoclima e a história geológica da Terra
    • 🇮🇹 CNR – ISMAR– Consiglio Nazionale delle Ricerche – conduz investigação oceanográfica no Mediterrâneo e apoia inovação em ciência marinha

    🇦🇴📍 E em Angola?
    Temos o Baía Farta — navio de investigação científica atracado esta semana no porto de Nice, durante a hashtag#UNOC2025.
    A sua presença representa um sinal: Angola quer fazer parte desta comunidade global, apostando em ciência oceânica e numa economia azul baseada no conhecimento.



    📚 Porque compreender o mar é o primeiro passo para protegê-lo.

    🟦 “Knowledge precedes transformation.”
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    Ler mais: 📚 #MitosDoMar – Ep.4🛳️ “O que faz um navio de investigação científica?”
  • 📘 #PontoAzul – Ep. 3🌿 Algas: A Nova Fronteira Azul da Inovação

    No Dia Internacional das Algas, explorámos o seu grande e diverso potencial.
    Hoje, mergulhamos mais fundo — com exemplos concretos de quem está a transformar algas em soluções de valor económico, ambiental e social.

    As algas são um recurso versátil e regenerativo, com aplicações que vão da saúde à agricultura, passando por energia limpa, alimentação, cosmética e embalagens biodegradáveis. Além disso, contribuem activamente para a regeneração de ecossistemas marinhos e têm um elevado potencial de captura e retenção de carbono azul. Eis um pouco, do que já está a acontecer no mundo:

    🔬 1. Biotecnologia, Saúde e Cosmética e 🍽️ Alimentação & Bem-Estar
    Allmicroalgae (Portugal) – Microalgas para alimentação humana, animal e agricultura
    Green Aqua Company (Portugal) – Produção para aquacultura, rações, suplementos e cosmética
    ALGAplus Production and Trading of Seaweed and Derived Products S.A. (Portugal) – Exporta macroalgas para alimentação, cosmética e bem-estar animal, entre outros
    SELT Marine Group (Tunísia e Moçambique) – Algas marinhas processadas para fármacos, cosméticos e bioplásticos

    🌱 2. Agricultura & Biofertilizantes
    Cascadia Seaweed (Canadá) – Bioinsumos agrícolas a partir de kelp
    Kelp Blue (Namíbia) – Bioinsumos agrícolas a partir de kelp

    ♻️ 3. Biomateriais & Embalagens Sustentáveis
    Notpla (Reino Unido) – Embalagens biodegradáveis à base de algas. Vencedora do Earthshot Prize. Já usada nos Jogos Olímpicos de Paris e grandes eventos europeus

    ⚡ 4. Energia Azul & Combustíveis Alternativos
    SeaH4 (África do Sul) – Produção rentável de bio-metanol e e-fuels a partir de algas. Solução viável e escalável para substituir combustíveis fósseis

    📌 E em Angola?
    Com mais de 1.600 km de costa, elevada biodiversidade e espécies endémicas de macroalgas, Angola tem condições únicas para se posicionar na economia azul — com destaque para o potencial da maricultura de algas como um dos eixos estratégicos de desenvolvimento azul.

    Mas é preciso:
    ✔️ Investir em investigação aplicada
    ✔️ Apoiar a maricultura regenerativa
    ✔️ Envolver universidades e centros de R&D
    ✔️ Criar parcerias público-privadas com foco em inovação
    ✔️ Garantir políticas e financiamento adequados

    📢 A Revolução das Algas já começou — e Angola ainda vai a tempo.

    “Knowledge precedes transformation.”

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  • 📅 5 de Junho 🎣 Dia Internacional da Luta contra a Pesca Ilegal

    📅 5 de Junho 🎣
    Hoje assinala-se o Dia Internacional da Luta contra a Pesca Ilegal

    A luta contra a pesca Ilegal, Não Declarada e Não Regulamentada (IUU) é uma luta por justiça ecológica e económica.
    E começa com conhecimento, transparência e responsabilidade.

    A pesca ilegal continua a comprometer a sustentabilidade dos oceanos, a segurança alimentar das comunidades costeiras e o futuro da economia azul nos países em desenvolvimento.

    No episódio 1 da nossa série #MitosDoMar, já o dissemos com clareza.
    📎 Link nos comentários, se quiseres rever o Ep. 1.


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    Ler mais: 📅 5 de Junho 🎣 Dia Internacional da Luta contra a Pesca Ilegal
  • 📚 #MitosDoMar – Ep 3 🌿 O Valor Escondido das Algas

    Hoje, 4 de Junho, assinala-se o Dia das Algas Marinhas — data instituída em 2020 pelo Pacto Global das Nações Unidas, com o lançamento do “Seaweed Manifesto”.
    Um documento essencial que destaca o potencial transformador das algas para a segurança alimentar, a mitigação das alterações climáticas e a regeneração dos ecossistemas marinhos.

    É um bom dia para desconstruir mitos e aprofundar a nossa literacia oceânica.
    As algas são muito mais do que “ervas do mar”.
    São um potencial herói azul com valor ecológico, económico e social. Eis o porquê:

    🔬 1. Biotecnologia Azul & Inovação Industrial
    Base para enzimas, cosméticos, fármacos e bioembalagens sustentáveis
    Extração de compostos bioativos com funções anti-inflamatórias e antivirais

    🌱 2. Biofertilizantes & Agroindústria
    Substituição de insumos químicos por extratos naturais
    Estudos em países com realidades costeiras semelhantes apontam para o seu potencial como adubo sustentável e bioestimulante agrícola

    🌊 3. Carbono Azul & Regeneração de Ecossistemas
    Capturam carbono mais rápido que florestas terrestres
    Criam habitats marinhos, protegem zonas costeiras e ajudam a regenerar biodiversidade marinha

    📈 4. Economia Azul em Expansão
    Por exemplo só em Portugal, a economia das algas já movimenta mais de 9,2 milhões de euros/ano
    Potencial crescente em sectores como alimentação, farmacêutica, agricultura, cosmética e biomateriais

    📌 E em Angola?

    O país possui centenas de quilómetros de costa e espécies endémicas de macroalgas ainda pouco estudadas.
    Com políticas adequadas, investigação aplicada, iniciativas público-privadas e envolvimento das comunidades costeiras, as algas podem tornar-se um trunfo estratégico nacional — tanto na diversificação económica como na regeneração dos ecossistemas marinhos.

    🎯 Uma leitura recomendada:
    📗 “The Seaweed Revolution” de Vincent Doumeizel
    Um manifesto vivo sobre como as algas podem transformar o mundo — e por que é urgente repensar o nosso relacionamento com o mar.


    Esta semana, no #PontoAzul E3, vamos mostrar exemplos concretos de empresas e centros de investigação que estão a transformar algas em soluções inovadoras.

    Porque literacia oceânica é o primeiro passo para qualquer transformação.

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    Ler mais: 📚 #MitosDoMar – Ep 3 🌿 O Valor Escondido das Algas
  • 🌐 #PontoAzul – Ep2 – Soluções para Ecossistemas Marinhos Degradados

    A destruição de ecossistemas marinhos — provocada por práticas como a pesca de arrasto — pode parecer irreversível. Mas não é.

    A regeneração marinha já não é apenas uma aspiração ambiental.
    É uma frente de acção estratégica, científica e económica em diversas regiões do mundo.
    E está cada vez mais alicerçada em investigação aplicada e desenvolvimento tecnológico, com impactos reais na biodiversidade, na produção alimentar e nas economias costeiras.

    ✅ O que é possível fazer?
    🔹 Vedação ecológica de zonas críticas
    Suspender temporariamente a actividade humana em áreas degradadas permite que a natureza se regenere. Com base científica, esta medida tem mostrado resultados rápidos na recuperação da biodiversidade e da biomassa marinha.

    🔹 Instalação de recifes artificiais
    Estruturas submersas, desenhadas para imitar habitats naturais, transformam zonas estéreis em refúgios de vida marinha.
    🌐 Exemplo: Ocean Ecostructures (Espanha) desenvolve recifes bioinspirados que promovem biodiversidade, sequestram carbono e regeneram o fundo marinho.

    🔹 Maricultura regenerativa
    Cultivo de algas e moluscos que melhora a qualidade da água, reduz pressões sobre habitats naturais e gera valor económico sustentável.
    🌐 Exemplo: Kelp Blue (Namíbia) está a criar uma floresta submarina de kelp gigante com benefícios ecológicos e novas oportunidades de emprego azul.
    🌐Exemplo: Billion Oyster Project (USA) está a restaurar milhões de ostras na baía de Nova Iorque, regenerando o ecossistema, melhorando a qualidade da água e envolvendo escolas e comunidades.

    🐟 Alternativas sustentáveis à pesca de arrasto de fundo.
    A transição para práticas menos destrutivas é possível — e necessária.
    🔹 Artes de pesca selectivas, com menor impacto no fundo marinho e maior eficiência por espécie alvo.
    🔹 Pesca artesanal e semi-industrial bem regulada, que valoriza o peixe, gera emprego e preserva o ecossistema.
    🔹 Maricultura costeira de baixo impacto, integrada com conservação e rastreabilidade.
    Estas soluções são replicáveis, escaláveis — e mais sustentáveis a longo prazo.

    🌊 E as comunidades costeiras?
    Devem ser beneficiárias directas e guardiãs activas destes processos.
    Quando envolvidas desde o início, tornam-se aliadas da regeneração, ajudando a proteger a biodiversidade, beneficiando de zonas recuperadas, e participando de uma nova economia costeira baseada na sustentabilidade.

    📌 E em Angola?
    Temos zonas costeiras sob forte pressão e ecossistemas já degradados.
    Mas temos também conhecimento, talento técnico e uma janela de oportunidade.

    No DOHA – Disruptive Ocean Hub Angola 🇦🇴 Angola, acreditamos que a regeneração de ecossistemas marinhos é uma estratégia económica, científica e territorial, necessária para o século XXI.

    É hora de restaurar — com visão, método e impacto.


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    Ler mais: 🌐 #PontoAzul – Ep2 – Soluções para Ecossistemas Marinhos Degradados
  • 📚 #MitosDoMar – Ep2

    🎣 Pesca de Arrasto – Onde está a sustentabilidade da pesca industrial?

    A pesca de arrasto de fundo é uma das práticas mais destrutivas alguma vez aplicadas ao oceano.
    No entanto, continua a ser amplamente utilizada — longe dos olhos do público, mas com consequências visíveis na escassez de peixe, na degradação dos ecossistemas e no futuro da pesca sustentável.

    ❌ Mito: “É só mais uma técnica de pesca.”
    Na verdade, trata-se de uma técnica industrial que consiste em arrastar redes pesadas com dispositivos metálicos pelo fundo do mar durante quilómetros.
    Não há selecção. Não há cuidado.
    Tudo o que está no caminho — é destruído.

    ⚠️ Consequências directas:
    • O fundo do oceano e os seus habitats são esmagados ou arrancados
    • Espécies juvenis, ameaçadas ou sem valor comercial são capturadas e descartadas — o chamado bycatch, que pode atingir 50% das capturas totais
    • Áreas inteiras ficam biologicamente estéreis, incapazes de regeneração durante décadas
    • A destabilização dos sedimentos pode libertar carbono armazenado — agravando o efeito de estufa

    🌍 Impacto global:
    • O arrasto de fundo representa mais de 25% de todas as capturas marinhas (FAO)
    • A Oceana estima que esta prática cause perdas anuais de cerca de 3 mil milhões de dólares em colapsos ecológicos e económicos
    • A destruição física do fundo marinho compromete o ciclo de vida de centenas de espécies comerciais

    📌 E em Angola?
    Embora pouco visível, esta técnica é amplamente utilizada por embarcações industriais, muitas vezes sem fiscalização efectiva, em zonas críticas da nossa costa.
    O resultado?
    Menos peixe. Menos biodiversidade. Menos futuro.



    🎬 O documentário “Ocean”, narrado por David Attenborough, mostra com clareza a dimensão da destruição provocada por esta prática. É impossível ignorar as imagens. (Uso educativo)



    🎙️ A literacia oceânica começa também por aqui:
    Saber como é capturado o pescado que nos chega ao prato.

    Na quinta-feira, na série #PontoAzul E2, traremos alternativas sustentáveis e tecnologias regenerativas que podem ajudar a pôr fim a esta prática — e a recuperar o rasto de destruição deixado para trás.

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    Ler mais: 📚 #MitosDoMar – Ep2
  • 📘 #PontoAzul – Episódio 1

    Inovação: Ideias para travar a pesca ilegal — da visão à acção!

    A pesca ilegal, não declarada e não regulamentada é um problema global — mas não é um problema sem resposta.
    Em vários pontos do mundo, estão a surgir soluções tecnológicas e modelos de inovação azul que mostram que pensar o mar com inteligência é possível.
    Acreditamos que o combate à pesca ilegal também se faz com dados, criatividade e colaboração.

    🌐 Exemplos de soluções aplicadas:

    📡 Global Fishing Watch
    Monitorização de embarcações em tempo real por satélite — já utilizada por vários governos como ferramenta de transparência e controlo.

    🔗 ABALOBI (África do Sul)
    Plataforma que assegura rastreabilidade do pescado, do mar até à mesa — reforçando legalidade, segurança alimentar e valorização para a pesca justa e sustentável.

    🔍 Dispositivos IoT e controlo nos pontos de desembarque (Podes ser Tu)
    Sensores instalados em embarcações e centros de desembarque recolhem dados sobre espécies, volumes e rotas — essenciais para fiscalização e gestão pesqueira.

    ⚙️ E em Angola?
    Temos talento técnico, recursos locais e um sector de inovação em crescimento.
    E se passássemos a encarar o combate à pesca ilegal como um desafio de inovação e empreendedorismo?

    📢 Repto
    Lançamos um desafio às startups angolanas, empresas de tecnologia, universidades, incubadoras e empreendedores:

    Que soluções tecnológicas e criativas podem ser desenvolvidas para a nossa realidade?
    Rastreabilidade. Monitorização. Informação ao consumidor. Integração com a fiscalização.

    Tudo está em aberto. Pensar o mar é também inovar.
    A Economia Azul precisa de tecnologia com propósito.

    E o combate à pesca ilegal pode ser o ponto de partida para transformar o desafio em oportunidade.

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    Ler mais: 📘 #PontoAzul – Episódio 1
  • 📚 MitosDoMar – Episódio 1

    🎣 Pesca Ilegal – Quando a rede está fora da lei

    Para muitos, o mar é sustento, é compromisso, é vida.
    Para outros, é um atalho.

    A pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (INN) é uma das maiores ameaças à sustentabilidade dos oceanos.
    Ignora períodos de defeso, contorna quotas, destrói habitats e coloca em risco o modo de vida das comunidades costeiras.

    Estima-se que, a nível global, a pesca ilegal represente perdas entre 10 e 23 mil milhões de dólares por ano, segundo a ONU.
    Em Angola, as estimativas mais recentes apontam para perdas anuais de cerca de 200 milhões de dólares.

    🚨 Três consequências directas da Pesca Ilegal não declarada e não regulamentada (INN):

    🌿 Ambiental: Ameaça a biodiversidade marinha, provoca sobrepesca, destrói habitats e desequilibra ecossistemas.

    💰 Económica: Desvaloriza o peixe e a sua cadeia de valor, contorna impostos e licenças. Na África Austral, países como Angola perdem receitas cruciais que poderiam reforçar o desenvolvimento da economia Azul.

    👥 Social e alimentar: Prejudica pescadores e comunidades costeiras que dependem do mar para subsistência.
    Afecta a disponibilidade de peixe no mercado, põe em risco a segurança alimentar e mina o investimento em cadeias produtivas sustentáveis.

    📌 O combate à pesca ilegal não é só fiscalização — é literacia oceânica, política justa e responsabilidade colectiva.

    Porque quando se pesca fora da lei, perde o mar, perde o Estado e perdem as comunidades.

    “Knowledge precedes transformation.”

    Ler mais: 📚 MitosDoMar – Episódio 1
  • Pensar o mar. Com estrutura.

    No DOHA – Disruptive Ocean Hub Angola 🇦🇴, acreditamos que desbloquear a Economia Azul em Angola exige mais do que intenção.
    Exige conhecimento, método e continuidade.

    Nesse sentido, passamos a publicar dois conteúdos por semana, alinhados com dois dos pilares da nossa missão:

    📚 Terças-feiras — #MitosDoMar – Literacia Oceânica e compreensão das actividades marítimas e costeiras:

    Vamos desmontar mitos, explicar conceitos e questionar percepções instaladas sobre o mar, a pesca, o ecossistema marinho e o que representa para a sociedade.

    Damos início à série #MitosDoMar a 20/5/2025.


    🌐 Quintas-feiras — #PontoAzul – Um espaço para reflexão estratégica sobre o potencial real da Economia Azul em Angola:

    Sobre sectores-chave do desenvolvimento marítimo e costeiro, com perguntas práticas como o que vale a pena desenvolver? Que modelos existem lá fora? Que soluções podem servir o nosso contexto?

    Damos início à série #PontoAzul a 22/5/2025, onde abordaremos os grandes temas que definem o trabalho do DOHA — da investigação e das políticas públicas à regeneração de ecossistemas marinhos, passando pela inovação, integração oceano–agricultura, energia, maricultura e outras frentes por explorar.


    Porque desbloquear a Economia Azul exige que a conheçamos — e que a imaginemos.

    É esse o caminho que propomos.
    “Knowledge precedes transformation.”

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  • 🌊 O mar 🇦🇴 também precisa de pausa! A importância do Período de defeso.

    A proibição temporária da pesca da sardinha e do carapau, têm gerado debate — como é natural.
    Mas há um princípio que não pode ser ignorado: Os recursos marinhos não são inesgotáveis.

    🎯 A veda, ou período de defeso, é um instrumento técnico de gestão de pescas reconhecido internacionalmente.
    É uma pausa biológica fundamentada em dados sobre reprodução, esforço de pesca e dinâmica de renovação dos stocks.
    Não é castigo. Não é erro.
    É um acto de clareza científica e coragem estratégica, com um objectivo simples e vital:
    ➡️ Assegurar o amanhã.

    No DOHA – Disruptive Ocean Hub Angola, acreditamos que promover a literacia oceânica como base para compreender estas medidas é um caminho essencial — e um acto de cidadania.

    Porque só com conhecimento é possível perceber que proteger hoje… é garantir que ainda haverá peixe, pesca e mercado amanhã.

    📌 Informar é parte da solução.
    📌 Explicar é proteger.
    📌 Medidas de gestão dos recursos marinhos são hoje imprescindíveis, à luz do conhecimento científico actual e da pressão global sobre os ecossistemas oceânicos.

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